González sofre pressão e deve mudar campanhas de Serra e Alckmin

Marqueteiro virou alvo de críticas de tucanos diante da queda do presidenciável nas pesquisas

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O marqueteiro e jornalista Luiz González sofreu pressões e terá de mudar as estratégias de campanha dos tucanos José Serra, candidato à Presidência da República, e de Geraldo Alckmin, que disputa o governo do Estado de São Paulo. Até então homem de confiança de Serra, González passou a perder força com a queda do presidenciável nas pesquisas.

“Conversei com ele e a campanha vai ser reestruturada. Ficou claro que ele ( González ) vai fazer ajustes”, disse presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. Coordenador-geral da campanha de Serra, ele, porém, negou que tenha havido pressão sobre o marqueteiro. “Não teve pressão. É só uma nova fase”, completou.

Desde a metade da semana passada, a estratégia de González tem sido criticada por integrantes do PSDB. Nesta segunda-feira, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso trataram do assunto publicamente. O primeiro disse que falta ousadia à campanha de Serra . O segundo que o tucano “não é Zé” .

Porém, o momento mais crítico ocorreu no domingo, quando Alckmin pediu a González que os programas na TV respondessem às críticas do PT. Nas últimas semanas, o candidato petista ao governo paulista, Aloizio Mercadante, cresceu nas pesquisas e passou a ser cogitada a possibilidade de segundo turno no Estado.

O marqueteiro se posicionou contra a ideia de responder aos ataques petistas. Ele defende críticas pontuais, numa estratégia similar à que vem adotando na campanha de Serra ao Palácio do Planalto.

Num primeiro momento, o presidenciável tem apoiado o plano de González. O problema é que Serra tem perdido força junto aos tucanos paulistas à medida em que Dilma Rousseff (PT) aumenta a diferença na disputa nacional.

Tucanos ligados a Alckmin, no entanto, vão passar a responder em nome do tucano às acusações do PT. Um dos escalados para a tarefa foi o deputado federal e candidato à reeleição Edson Aparecido (SP). Durante as administrações de Alckmin em São Paulo (2001-2006), ele foi o principal articulador político do governo na Assembleia Legislativa.

O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, também reclamou que o conselho político que deveria funcionar para opinar sobre estratégia de campanha também nunca funcionou. “Estou fazendo a minha parte que é pedir voto”, disse ainda na sexta-feira. “Infelizmente, nos chamaram para discutir a comunicação”, completou.

Atraso de salários

A crise na comunicação aumentou depois que parte da equipe de produção dos programas de TV ameaçou pedir demissão por falta de pagamento de salários. O iG , no entanto, ouviu de uma pessoa próxima a González que o problema já foi resolvido.

Na madrugada de domingo, o site de Serra teve uma mudança radical. Na prática, transformou-se num mural para as pessoas deixarem recados. Segundo a coordenadora da campanha na internet, Sonia Francine (PPS), a Soninha, “trata-se de uma nova fase”.

O site também divulgou um novo slogan: “É a hora da virada”. Lançado ainda em abril na pré-campanha de Serra, o outro slogan “O Brasil pode mais” não foi abandonado.

Algumas peças publicitárias também substituíram “Serra 45” por “Time 45” a fim de colar a campanha presidencial nas disputas estaduais. Sobretudo em Goiás, Paraná e São Paulo, onde os tucanos Marconi Perillo, Beto Richa e Alckmin, respectivamente, lideram a corrida eleitoral.

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