Garotinho: 'Dilma no telefone fala uma coisa, mas faz outra'

Ex-governador do Rio afirma que não se sente traído pela candidata petista, mas diz que ela parece querer apoio 'às escondidas'

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Após encerrar a convenção que pelo segundo dia consecutivo discutiu o apoio do PR-RJ aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), no segundo turno, o ex-governador Anthony Garotinho, eleito deputado federal com quase 700 mil votos, afirmou que a legenda optou pela neutralidade temporária para que os candidatos pensem melhor sobre o apoio que desejam dele. "Não  posso ser oferecido", afirmou. 

Segundo Garotinho, Dilma já o procurou, mas nada foi acertado. "No telefone ela fala uma coisa, mas na prática faz outra", falou. Contudo, o apoio a Serra não está certo. "Ele também vem ao Rio e não me procura", afirmou. 

Em meio à convenção, Garotinho chamou a atenção dos correligionários para dizer que o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, teria telefonado três vezes para o seu celular. O tucano Márcio Fortes, coordenador da campanha de Serra no Rio, teria ligado uma vez. 

Porém, ele ressaltou que o apoio será dado a quem assumir a aliança publicamente "e com direito a fotos" a seu lado, além de se comprometer a não privatizar nenhuma estatal, assinar a PEC 300 ( que cria o piso nacional para servidores da segurança pública ), garantir os direitos do Estado sobre os royalties do petroleo e escola pública em horário integral. A proposta, incluindo as fotos, foi apresentada pelo candidato da legenda ao governo do Rio, Fernando Peregrino. "Eles vão querer um milhão de votos sem contrapartida? Não dá", disse Peregrino. 

Garotinho diz que embora boa parte do PR fluminense esteja a favor do apoio a Serra - inclusive a filha do ex-governador, a vereadora Clarissa Garotinho, recém-eleita deputada estadual - a legenda ainda vai ser manter neutra. O ex-governador disse esperar que tudo esteja resolvido o quanto antes, mas jogou a decisão para os presidenciáveis.  A seguir ele comenta detalhes da opção da legenda:

iG: O senhor disse que a Dilma já o procurou três vezes e que durante a convenção desta sexta-feira o José Eduardo Dutra também. Por que não fechou apoio com a Dilma?

Anthony Garotinho - Porque no telefone ela fala uma coisa e na prática faz outra. Ela me liga e diz "Garotinho, quero contar com você". Aí, ela vem ao Rio, sai com o ( Sérgio ) Cabral e o PMDB, e não me procura. Parece que quer meu apoio às escondidas. Assim não dá. 

i G - O senhor se sente traído por Dilma?

Garotinho - Não. 

i G - O senhor acha que a Dilma errou na campanha do primeiro turno? Em quê?

Garotinh o - Ela desafiou as religiões. Não digo a Igreja, mas as religiões, os valores. Agora assina uma carta dizendo que é contra o aborto e outras coisas. Podia ter resolvido tudo no primeiro turno, era só convencer o presidente Lula a revogar do PNDH3. 

iG - Parte do PR-RJ quer apoiar o Serra...

Garotinho - Sim, mas nós votamos hoje pela neutralidade temporária. Porque o Serra também vem ao Rio e não nos procura, não posso ser oferecido. 

iG - A proposta apresentada pelo candidato que disputou o governo do Rio pelo PR, Fernando Peregrino, condiciona o apoio a um ato público com fotos.

Garotinho - Sim, porque se você quer apoio as pessoas têm que ver quem está junto. Mas esta não é a única condição. Tem que se comprometer com a não privatização das estatais, assinar a PEC 300, revogar o PNDH3 e todas as questões que Peregrino colocou. 

iG - O senhor faz questão de ressaltar que é de esquerda e que vota com a esquerda. Não pode fugir à sua trajetória selar uma aliança com o PSDB, DEM e PTB?

Garotinho - Sim. Não é o ideal. Mas em política, às vezes, é preciso fazer o que é possível. 

iG - Cargos estão sendo negociados?

Garotinho - Não. De forma alguma.

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