Garcia acusa oposição de fazer 'terrorismo' na campanha

"Neste governo, mais do que em qualquer outro, há liberdade de opinião, de imprensa e de convicção religiosa", diz assessor

Agência Estado |

selo

O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, atacou a oposição, em entrevista realizada hoje no Palácio do Planalto, acusando-a de estar promovendo "terrorismo" ao afirmar que seu governo poderia controlar a liberdade de expressão e de religião.

"Neste governo, mais do que em qualquer outro, há liberdade de opinião, de imprensa e de convicção religiosa, que foi estritamente respeitada. E no governo da Dilma (Rousseff, candidata petista à Presidência) será respeitado da mesma maneira e, se puder, (a liberdade) será mais aprofundada ainda."

Ele acrescentou ainda que "qualquer tentativa de tentar descaracterizar esta posição do governo brasileiro tem um nome e se chama terrorismo e terrorismo é uma coisa grave, porque, entre outras coisas, fere os sentimentos religiosos, introduz no Brasil uma coisa que não temos que é a divisão entre as religiões", disse.

Depois de acusar "alguns grupos" de "tentar manipular a religiosidade da sociedade brasileira para fins políticos eleitorais", classificando esta tentativa de uma ação "extremamente grave", Garcia lembrou que esta divisão entre religiões existe em outras partes do mundo, mas não no Brasil.

"E ela pode levar a fenômenos gravíssimos de separação da sociedade e isto não existe no Brasil, nunca existiu e a sociedade não vai permitir que exista", afirmou o assessor, acentuando que isto está dito no manifesto dos partidos coligados ao governo e à candidatura Dilma publicado ontem.

Garcia, que também trabalha como um dos coordenadores da campanha de Dilma, negou que o governo esteja enfrentando problemas com a Igreja. "Não há preocupação", declarou.

"A única coisa que nós não toleramos, e aí não somos nós, governo, mas a sociedade não tolera, é uma campanha de mentiras, insídias, de manipulação, para fins eleitorais, seja por parte de pessoas que se escondem atrás da religiosidade - e eu sei qual é a religião destas pessoas, é a má religião, não é a boa -, seja por parte de pessoas que não tem religião nenhuma. Não é boa prática democrática no País que se lance mão deste tipo de questões", avisou.

Acordo com Vaticano

Marco Aurélio negou também que o Brasil possa reformular o acordo internacional do governo brasileiro com o Vaticano, por causa dos ataques da igreja católica ao Planalto ou a Dilma. "Não acredito que o Gilberto Carvalho tenha dito isso", declarou ele, afirmando ainda que, embora "todos estes acordos internacionais tenham cláusula de renúncia, quero deixar uma coisa clara: este assunto não está sendo cogitado no governo e, se tivesse, certamente eu teria alguma informação".

O assessor de Lula elogiou ainda a nota da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de hoje. "Eu espero que ela tenha consequências práticas, que a ideia de que tenhamos um Estado laico seja preservada por aqueles que criticam tanto o Estado teocrático. Deveriam se empenhar nesta direção e que se reconheça que neste governo, mais do que em qualquer outro, há liberdade de opinião, de imprensa e de convicção religiosa foi estritamente respeitada", reiterou.

Marco Aurélio insistiu que o objetivo da oposição é tirar do centro da discussão a questão essencial, que é o confronto de dois projetos, dos governos anteriores e do atual. "Temos de confrontar os dois projetos que a sociedade brasileira conhece. Já se viveu oito anos de governo Fernando Henrique e mais quatro de governo Serra (José Serra, presidenciável tucano) em São Paulo. E agora, temos oito anos de governo Lula. Então a sociedade vai medir completamente a sinceridade disso", afirmou.

Ataques

Marco Aurélio passou, então, a atacar diretamente Serra. "Primeiro, quem fala que vai garantir a segurança tem de explicar porque a sociedade de São Paulo foi, em um determinado momento de seu governo, objeto de uma quase insurreição do crime organizado. Segundo lugar, quem fala de combate ao crack no Brasil que permita, vocês podem fazer um passeio pela Cracolândia, em São Paulo, e constatar o espetáculo mais deprimente que se pode observar. E este é um espetáculo que dura anos e que é a convergência de um governo estadual e municipal de São Paulo", disse.

E completou: "Aquilo é uma catástrofe em uma das cidades mais desenvolvidas do mundo, em um dos Estados mais avançados do mundo, que você tem, no centro da cidade aquele aspecto absolutamente deprimente que é a Cracolândia. É isso que a sociedade brasileira vai avaliar", afirmou Garcia.

    Leia tudo sobre: pleito 2010eleições serraeleições dilmaaborto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG