Gabinetes do Senado estão esvaziados após eleição

Parlamentares que disputaram primeiro turno têm mais da metade de comissionados nos estados, dificultando o controle de freqüência

Fred Raposo, iG Brasília |

Quase um mês após a realização do primeiro turno, mais da metade dos assessores de confiança dos 53 senadores que disputaram a eleição este ano permanecem nos redutos eleitorais dos parlamentares.

A manobra tem esvaziado os gabinetes do Senado. Levantamento do iG revela que 757 comissionados – ou seja, 53% dos 1.420 funcionários contratados sem concurso – estão lotados em escritórios de apoio nos estados de origem dos senadores.

Dados do sistema interno de Recursos Humanos apontam que o índice é proporcionalmente maior em relação aos funcionários que trabalham para os 28 parlamentares que ficaram de fora da disputa eleitoral. Estes têm 39,5% - ou 290 dos 735 comissionados – alocados nas respectivas bases.

O aumento da “tropa” de comissionados nos estados aconteceu às vésperas da eleição . A medida é regulamentada pelo ato nº 16 da Mesa Diretora, de agosto do ano passado. O documento não especifica um limite para o número de assessores em Brasília ou nos estados. Porém, a prática dificulta o controle de freqüência da Casa sobre os funcionários.

Enquanto em Brasília os servidores são obrigados a registrar eletronicamente o ponto, por meio de senha pessoal no sistema da Casa, nos estados a freqüência é colhida em folha por alguém do gabinete parlamentar – em geral, o chefe de gabinete.

O levantamento aponta que 35 dos 53 senadores que concorreram a algum cargo este ano mantêm mais assessores de confiança nos estados do que em Brasília. É o caso dos candidatos derrotados à reeleição pelo Piauí, os senadores Heráclito Fortes (DEM) e Mão Santa (PSC). Juntos, os parlamentares lotaram 56 comissionados no estado e apenas 15 em Brasília.

Recordista

Pelo regimento da Casa, dez das 11 vagas de confiança a que os senadores têm direito podem ser desmembradas em até 79 contratações. O senador Efraim Morais (DEM-PB) é o recordista: dos 66 comissionados, 52 estão lotados em seu escritório político no estado.

Dos quatro senadores eleitos para ocuparem cadeira na Câmara dos Deputados no ano que vem, Sérgio Guerra (PSDB-PE) soma o maior número de comissionados no estado: 21, contra apenas cinco em seu gabinete.

Único senador a disputar o segundo turno, o candidato ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB-GO) tem 20 assessores de confiança no estado e somente dois em seu gabinete. Já o senador Adelmir Santana (DEM), embora represente Brasília, mantém escritório político com 39 comissionados – os outros dez estão lotados em seu gabinete.

Sem comissionados

O mesmo acontece com Gim Argello (PTB), também senador por Brasília. Com mandato até 2015, Argello não disputou a eleição. Mas, embora concentre as contratações em seu gabinete, com 22 comissionados, o petebista mantém 15 assessores de confiança em escritório político.

Somente sete parlamentares que concorreram em 2010 não têm comissionados nos estados. Já com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) acontece o contrário: são 30 assessores de confiança no estado e nenhum em Brasília.

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