Gabeira tem menos votos para governador do que teve para prefeito

Após perder duas eleições seguidas, o verde deve voltar ao jornalismo, fazer palestras e prestar consultorias sobre meio ambiente

Raphael Gomide e Luiz Antonio Ryff, iG Rio de Janeiro |

Futura Press
O candidato do PV ao governo fluminense, Fernando Gabeira, vota no Rio de Janeiro
Com a derrota para Sérgio Cabral, o deputado federal Fernando Gabeira sai da eleição para o governo do Estado do Rio menor do que entrou. O candidato do PV teve agora praticamente a mesma votação que teve há dois anos, quando concorreu à prefeitura carioca. Um pouco menos, na verdade. Só que em um colégio eleitoral muito menor: 40% menor. O colégio eleitoral da capital tem 4.674.789 eleitores dos 11.589.763 em todo o Estado.

Em 2008, no segundo turno, Gabeira obteve 1,640 milhão de votos (49,17% dos votos válidos) na disputa contra Eduardo Paes (PMDB), eleito prefeito. Em 2010, o candidato verde ficou com1,632 milhão.

Com o resultado, Gabeira também ficará pela primeira vez desde 1994 “desempregado”, sem mandato parlamentar, aos 69 anos de idade.

Com mais de 85% das urnas apuradas, até as 19h50 deste domingo (3), Gabeira registrava 21,4% dos votos válidos (1.441.400). O governador Sérgio Cabral, apontado vencedor, recebeu 65,9% (4.441.454).

O verde reconheceu a vitória do governador Sérgio Cabral (PMDB), às 20h deste domingo (3), na produtora de sua campanha, no Humaitá, zona sul do Rio. Ao admitir a derrota, ele disse que, aos 70 anos, "quer começar uma nova vida".

Por enquanto, Gabeira diz que terminará seu mandato de deputado federal. Ele retorna à Câmara dos Deputados na semana que vem e diz que não pode dar certeza de que voltará a concorrer nas eleições de 2012.

“Eu agradeço ao povo do Rio de janeiro por todo o apoio. Agora, meu objetivo é continuar meu mandato e recolher o material de 16 anos de trabalho”, falou, afirmando que não se arrepende de nenhum aspecto de sua campanha e que considera ter trazido benefícios para o Rio de Janeiro.

Depois de reconhecer a vitória do governador Sérgio Cabral, Gabeira disse que iria telefonar para o vice-governador Luiz Fernando Pezão e para o próprio Cabral para desejar  “boa sorte”. O deputado, no entanto, fez questão de ressaltar que permanece oposição. Sobre a disputa presidencial, disse que tende a declarar apoio a José Serra (PSDB), caso Marina Silva não chegue ao segundo turno.

Após concluir o mandato em Brasília, Gabeira deve voltar à sua atividade de origem, o jornalismo, e à palestras. Eleito o deputado federal mais votado no Rio, em 2006, e perder duas eleições seguidas (para prefeito, em 2008 -- ele recebeu 1.640.979 votos, 1,65% a menos que o prefeito Eduardo Paes --, e agora, para governador), o parlamentar afirmou que continuará contribuindo para o País, mesmo fora do Congresso Nacional.

Ele diz que já estava preparado para uma disputa difícil, e que sabia correr esse risco, mas decidiu arriscar, apesar da reeleição para a Câmara dos Deputados praticamente garantida. “Nenhum candidato admite que pode perder a eleição. Mas [se perder a eleição] não tenho outra saída a não ser contribuir com o País. Tenho 50 anos de vida pública. Se não com mandato, estarei escrevendo, fotografando, fazendo palestras...”, disse Gabeira, em sabatina do jornal Folha de S.Paulo, no fim de agosto. 

Gabeira é colunista de jornal e tem livros publicados – o mais famoso, “O que é isso, companheiro?”, trata do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, durante o regime militar. Na época, o jovem redator do Jornal do Brasil era militante de organização da luta armada. 

“Terei de sobreviver, nem sempre vou escrever como as coisas deveriam ser, mas direi como são. É diferente a função do político da de um jornalista”, afirmou Gabeira. 

Um político próximo ao candidato também disse ao iG que o deputado verde deve fazer palestras e poderia ainda atuar como consultor na área ambiental. 

Nesta manhã, ao votar, Gabeira já admitia a provável derrota e afirmou que vai “continuar oposição”. “Só apoiei um governo, Lula, e por seis meses.” 

Falta de propostas e um governador aprovado no caminho

Para conseguir derrotar o bem avaliado governador Sérgio Cabral (PMDB), faltaram a Gabeira projetos, dinheiro, aliados e o êxito na estratégia de desconstruir um adversário que teve forte apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e R$ 430 milhões em publicidade oficial – como o verde tanto frisou na campanha. 

“O que não vi e, para mim, é inédito é a falta de propostas da oposição. A não ser esse esquema de denúncia e de choramingueira o tempo todo, mas não houve uma proposta que pudesse fazer o eleitor mudar ou refletir sobre uma mudança de voto. O que houve foi um vazio de proposta muito grande”, afirmou a cientista política Ingrid Sarti. 

Para o cientista político Eurico Figueiredo, esse apoio de Lula a Cabral, em contraposição ao “fato de Gabeira ser apoiado no Rio por José Serra, mal votado no Rio, foi um fator importante para o seu insucesso”. Além disso, “se o governo está indo bem por que vou apostar no Gabeira, se não sei se vai dar continuidade no que está aí? A oposição perde porque não consegue mostrar que o que está sendo feito está ruim e não representa nada de novo”. 

A arrecadação de campanha também foi fraca, diante da grande aprovação do adversário da situação, Sérgio Cabral. Gabeira teve impasses em sua coligação, com o PSDB, DEM e PPS e dentro de seu próprio partido, que se recusava a apoiar o ex-prefeito Cesar Maia como candidato ao Senado.

* Colaboraram Flávia Salme e Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro 

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