Gabeira diz que liberação da maconha hoje não seria viável no Rio

Para defensor histórico da descriminalização de drogas, medida exige controle do consumo por `polícia avançada¿

iG Rio de Janeiro |

O candidato do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira, que teve como bandeira histórica a legalização da maconha, afirmou que, no Rio e no país, a medida não seria positiva. Trata-se de uma mudança de posição em relação ao passado. A declaração foi no “Teatro dos 4”, na Gávea, durante sabatina promovida pelo jornal "Folha de S.Paulo" e o "UOL".

Para Gabeira, seria impossível ter um controle eficiente do uso de drogas no Rio, com as dificuldades estruturais da polícia, que seria responsável por esse papel no caso de uma eventual liberação.

AE
Fernando Gabeira, do PV, mudou sua posição em relação à liberação da maconha em função da conjuntura do Rio
“Só com uma polícia muito avançada se pode legalizar [a maconha]. [A liberação]Não é ‘liberou geral’, é controle mais sofisticado. O coffee shop na Holanda [onde é permitido o consumo de maconha] é televisionado, controlam mais. Do ponto de vista filosófico, o Estado precisa estar preparado para as conseqüências.”

O verde citou o exemplo de experiência piloto adotada pela polícia de Londres em um bairro com grande população jamaicana, onde foi liberado o consumo de maconha.“A polícia chegou a conclusão de que perdia 4h com inquérito, e precisava usar a energia em lugares mais importantes. O jornal ‘The Independent’ considerou que foi bem aceito. Mas é uma polícia avançada. Com as dificuldades que temos hoje na polícia do Rio não seria viável”, afirmou.

O candidato defendeu a qualificação da polícia, a ênfase na inteligência – “O número de mortes é proporcional à qualidade de inteligência policial – e o aumento do salário dos policiais, com a eventual aprovação da PEC 300, projeto de emenda constitucional que iguala o salário de policiais aos de Brasília. Segundo ele, o governo federal arcaria com parte do reajuste.

“A PEC 300 prevê participação do governo federal. A polícia do Rio precisa ganhar mais, não é possível manter os salários assim. A realidade vai ser cotejada com o orçamento, podemos negociar. Todo o peso não ficará sobre o estado. Outro elemento é certa sensibilidade dos empresários para contribuir com segurança pública - já fizeram um fundo para isso. O aumento é possível com recursos do Estado, do governo federal e de contribuição da iniciativa privada”, afirmou.

Gabeira diz que UPPs só chegam a 1% das favelas

Gabeira, afirmou que o programa das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) só atinge 1% das favelas ocupadas pelo tráfico no Rio e que não trouxe a “paz” para o Rio, como afirma o governador e seu adversário nas eleições, Sérgio Cabral (PMDB). De acordo com ele, não é possível implantar as UPPs em todas as comunidades do Rio.

“O governador diz que existe paz, eu digo que não. Por onde ando, vejo gente com fuzil, metralhadoras. Quando se diz que o Rio está em paz e as pessoas têm metralhadoras ao redor, sabem que não é assim. Ele está falando a verdade sobre 1% das comunidades; 99%, a maioria esmagadora ainda não está pacificada. As demais foram pacificadas num contexto de bastante visibilidade. O governador diz que vai levar para cada comunidade. Eu que gostaria, sou obrigado a dizer: não é possível”, afirmou.

Na opinião de Gabeira, “não se pode ter um plano de segurança voltado apenas para 1% das comunidade”. “Precisa de projeto para o Estado em conjunto, que Minas Gerais e São Paulo têm, um projeto estadual de segurança. Não significa que terá UPP em todo lugar, nem que terá apenas UPP. O que proponho é política de segurança total”, disse.

Para Gabeira, as UPPs deveriam ser coordenadas com “obras infraestruturais”, aproveitando as obras do PAC para se entrar em favelas, como a Rocinha, o Alemão e Manguinhos.

Na manhã de sábado, traficantes da Rocinha entraram em confronto armado por cerca de meia hora em São Conrado com policiais militares. O candidato verde defendeu o uso de inteligência para prevenir incidentes como este. “Antes de chegar ao tiroteio, nenhuma grande cidade do mundo permitiria que um comboio armado de 80 homens se deslocasse sem ser detectado. Menciono o trabalho de inteligência. Acho que a polícia deva dar o combate na hora certa e no lugar certo”, disse.

Segundo ele, a prisão de dez traficantes armados que mantinham 35 pessoas reféns no Hotel Intercontinental, em seguida ao tiroteio foi por intervenção do próprio chefe do tráfico, “Nem”, que teria enviado um intermediário, membro da associação de moradores ao local.

“Vamos falar sério. A operação no hotel foi negociada por Feijão, um dos representantes da associação de moradores, acusado de ser ligado ao tráfico. ‘Nem’ mandou que Feijão fosse e determinasse que se depusessem as armas. A dominação territorial da Rocinha deve acabar. Devemos fazer coisas com inteligência”, afirmou.

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