¿Fui muito pressionado¿, diz Osmar Dias sobre candidatura no PR

Último nome a definir palanque para Dilma, o senador relembra ao iG detalhes do impasse com seu irmão que quase o tirou da disputa

Andréia Sadi, enviada ao Paraná |

No último sábado (31), moradores de Curitiba, no Paraná, viram subir no palanque de Dilma Rousseff e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na região da Boca Maldita, centro da cidade, uma chapa de políticos que há pouco mais de um mês eram a principal dor de cabeça dos petistas. Ao lado de Gleisi Hoffmann e Roberto Requião, candidatos ao Senado, estava o candidato a governador Osmar Dias (PDT), o último aliado a definir apoio a Dilma .

Em entrevista ao iG, Osmar garante que a decisão foi de última hora: no dia 29 de junho à noite, véspera do limite do registro de candidaturas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo ele, o “sim” à campanha de Dilma veio após a confirmação de que o seu irmão, senador Álvaro Dias (PSDB), estava fora da disputa pela vice de José Serra, principal adversário dos petistas na corrida eleitoral.


“Eu avisei que não poderia ser candidato se fosse mantida a posição de Álvaro como vice. Quando o DEM não abriu mão, eu fiquei livre para decidir. Tomei decisão com a aliança formada. Houve muita pressão para que eu fosse candidato”, disse.

Confira trechos da entrevista concedida ao iG após o comício de Dilma e Lula:

iG: Senador, o senhor foi o último nome do jogo eleitoral a definir o palanque para Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência. Em que momento o senhor decidiu pela candidatura?

Osmar Dias: A minha decisão de ser candidato ao governo foi tomada em 2006 depois que eu saí da eleição com 10 mil votos de diferença do meu oponente na época, que era o Roberto Requião e ganhou a eleição, mas o resultado fez com que o meu partido lançasse em seguida minha candidatura.

iG: Por que a demora para definir o palanque?

Dias: Eu tive problemas para fazer aliança porque o presidente Lula quando me pediu para ser candidato disse que ia garantir todos os partidos de base no palanque, mas PMDB tinha candidato. Sem palanque único eu não topava. Quando Orlando Pesutti (atual governador) abriu mão de sua candidatura, e o Lula me chamou de volta, naquele momento eu tomei a decisão que aconteceu exatamente na noite do dia 29 de junho.

iG: Senador, durante o comício no último sábado o senhor disse durante discurso que não ia falar o que presidente Lula lhe disse quando o pediu para ser candidato. O que o presidente disse para o senhor à época?

Osmar Dias: Lula me disse que queria minha candidatura porque ele temia que as políticas publicas que ele colocou em prática no País poderiam ter risco de não continuar porque o Paraná é um eleitorado grande. Então, um palanque bom para Dilma e nossa vitória no Paraná é importante para dois objetivos: para garantir vitória da Dilma e garantir que políticas públicas do governo Lula e que essas políticas possam prosseguir no Estado.

iG: O senhor disse que tomou a decisão na noite do dia 29 de junho. Mas, no mesmo dia, o DEM estava reunido para definir a vice de José Serra. O seu irmão, Álvaro Dias, estava cotado pra a vaga, mas o DEM não aceitou a indicação. O senhor conversou com Álvaro naquele dia para chegar a um acordo?

Osmar Dias: Na manhã do domingo, quando as convenções do PT e PMDB (regionais) se realizavam, eu fui até as convenções comunicar que eu não poderia ser candidato se mantivesse a indicação de Álvaro na outra chapa. O DEM não abriu mão de ser vice e naquele momento eu me senti em liberdade de decidir.

iG: Mas o senhor esperou o DEM decidir para se decidir?

Osmar Dias: As coisas aconteceram simultaneamente. Nós tomamos uma decisão com aliança formada. Houve muita pressão do meu partido para que eu fosse candidato, o ministro Carlos Lupi (presidente do PDT) ficou na minha casa por dois dias, a população também me pressionou. Eles diziam: ‘Como é que um Estado com 7,5 milhões de eleitores pode ficar submetido a apenas uma alternativa?’ A pressão que eu recebi da população foi muito grande. Aliás, na noite do sábado para o domingo, os deputados do PMDB fizeram uma quarentena dentro da minha casa. Essa pressão também foi decisiva para que eu chegasse a conclusão de que eu não poderia deixar de cumprir a minha responsabilidade de me colocar como alternativa e garantia dos projetos do governo Lula.

iG: José Serra ainda é o favorito na região Sul, segundo as últimas pesquisas. O senhor como candidato da base do governo Lula traçou alguma estratégia para reverter este quadro?

Osmar Dias: Estamos trabalhando um projeto contrapondo a outro projeto. Queremos mostrar que o projeto que estamos defendendo garantiu o acesso à classe média de 31 milhoes de brasileiros. Creio que o Paraná tem um eleitorado bastante crítico e saberá entender qual nossa responsabilidade neste momento, sendo eu um candidato que tenho a vocação do Estado. Sou agricultor e isso tudo vai convencer o Paraná de que o nosso projeto é o que mais interessa para o futuro do Estado.

iG: Antes de fechar a chapa, o senhor, Gleisi e Requião tiveram alguns conflitos. Como é a relação de vocês?

Osmar Dias: Nós nos unimos pelo Paraná. Quando o interesse da população está em jogo, as divergências pessoais não podem prevalecer.

    Leia tudo sobre: Osmar DiasParanáDilma Rousseff

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG