Fichas Sujas mais votados arrecadaram R$ 11 mi para as campanhas

Jader, Rocha, Maluf, Abadia e Cunha Lima tiveram 5,3 milhões de votos e, juntos, gastaram mais que alguns candidatos ao governo

Severino Motta, iG Brasília |

Os cinco políticos com maior votação e barrados pela Justiça com base na Ficha Limpa arrecadaram e gastaram R$ 11,49 milhões em suas campanhas. O valor ultrapassa o de algumas candidaturas ao governo. Um exemplo é a do Rio Grande do Sul, onde o eleito Tarso Genro (PT) usou R$ 7,8 milhões em sua corrida rumo ao Palácio do Piratini.

O Ficha Suja com maior arrecadação, de acordo com as prestações de contas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi Jader Barbalho (PMDB-PA), que é, até agora, o único barrado também no Supremo Tribunal Federal (STF) com base na nova lei das inelegibilidades. O político arrecadou e gastou R$ 4,01 milhões e teria sido eleito com 1,79 milhão de votos na segunda vaga para o Senado caso não tivesse sua candidatura impugnada.

O segundo com a maior arrecadação foi o ex-governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), que também disputou uma vaga ao Senado e foi o mais votado em seu Estado com 1 milhão de votos. Mesmo considerado um Ficha Suja, o político amealhou e gastou R$ 3,6 milhões.

Atrás deles vem Paulo Rocha (PT-PA), terceiro mais votado em seu Estado também na disputa pelo Senado. Para conquistar 1,73 milhão de votos ele captou R$ 1,62 milhão. Seus gastos ultrapassaram a cifra e, agora, com a eleição perdida e impugnado pela Justiça Eleitoral, ele terá que arrumar R$ 66 mil para saldar suas dívidas de campanha.

A quarta maior arrecadação de um Ficha Suja foi a de Maria de Lordes Abadia (PSDB-DF), que conquistou 348 mil votos para o Senado e, mesmo sem a candidatura barrada não teria sido eleita. Para sua campanha a tucana arrecadou e gastou R$ 1,3 milhão.

Pro fim, o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que buscou sua reeleição e obteve 497 mil votos arrecadou e gastou R$ 788 mil. Ele, como os demais citados - com exceção de Jader - apresentaram recursos ao STF contra a decisão do TSE que os barrou com base na Lei da Ficha Limpa.

Legislação

Não há na legislação eleitoral nenhum dispositivo que obrigue candidatos com problemas na Justiça – mesmo que previamente conhecidos – a devolver ou reembolsar valores doados para as campanhas.

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