Alckmin usa propaganda para mostrar biografia e prometer continuidade; Mercadante usa Lula e repete críticas e promessas

A estreia dos dois principais candidatos ao governo de São Paulo na propaganda eleitoral gratuita da TV levou ao ar um resumo das promessas repetidas à exaustão desde o início oficial da campanha nas ruas.

Líder nas pesquisas, Geraldo Alckmin (PSDB) mesclou imagens de sua biografia política, desde os tempos como prefeito de Pindamonhangaba até sua reeleição como governador, em 2002 – não citou, por exemplo, a tentativa frustrada de se eleger presidente e prefeito da capital, nas duas últimas eleições.

Na TV, Alckmin se apresentou como deputado responsável pelo código de defesa do consumidor – numa clara contraposição à bandeira do candidato do PP, Celso Russomanno – e exaltou as gestões tucanas à frente do governo paulista, administrado pelo partido há quase 16 anos. O ex-governador Mário Covas, de quem foi vice, foi chamado de “mestre” durante o programa.

O pedaço mais longo foi dedicado ao “Bom Prato” – slogan dos restaurantes populares custeados pelo governo de São Paulo. Alckmin visitou um desses restaurantes, em Santo Amaro, no mesmo dia em que a propaganda foi ao ar. A menção aos restaurantes deverá coincidir com sua aparição no noticiário na televisão comendo o prato a R$ 1.

Sem apresentar metas claras, Alckmin prometeu investir no ensino técnico, no metrô e no rodoanel, sempre como candidato da continuidade dos projetos de José Serra (PSDB). Na propaganda de rádio, horas antes, ele prometeu dar mais crédito para micro e pequenas empresas, ampliar os ambulatórios médicos de especialidades (AMEs) e a rede Lucy Montoro.

Em sua estreia, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, usou os cerca de 4 minutos de propaganda na TV para exaltar as conquistas do governo Lula e também repetir as críticas e promessas que tem feito desde a pré-campanha. Diferentemente do adversário, não falou da própria biografia, exceto o período em que atuou como líder do governo Lula no Senado. Não levou também imagens da campanha nas ruas, ao contrário do tucano.

Em formato de depoimento para documentário, sem jargões técnicos comuns em seus discursos como senador, Mercadante apareceu vestindo uma camisa branca e sem gravata, numa tentativa de suavizar a imagem do parlamentar. A fala, porém, foi praticamente a mesma da que usou na propaganda de rádio pela manhã.

Assim como tem feito nas ruas, ele afirmou que São Paulo vem perdendo participação na economia nacional, criticou o tempo gasto pelos paulistas no trânsito das grandes cidades e o que chama de “abuso” dos pedágios nas rodovias estaduais. Abordou também a privatização e o “sucateamento” da malha ferroviária no Estado e fez um contraponto com os investimentos federais no setor – usou o exemplo do projeto do trem-bala que ligará Campinas ao Rio de Janeiro. Uma das poucas metas levadas ao ar, porém, foi a de expandir a linha do metrô na capital de 65 km para 100 km. Chamou a meta como “ambiciosa”, mas lembrou que Lula também havia sido ambicioso ao prometer criar 10 milhões de empregos em sua campanha de 2002. “Hoje vamos entregar mais de 14 milhões de empregos”, argumentou.

A outra promessa foi a de acabar com a progressão continuada nas escolas paulistas, bandeira que tem defendido desde o lançamento da candidatura. Ele defendeu a valorização dos professores da rede pública paulista, “que tem um dos piores salários do País”, e se comprometeu a introduzir cursos profissionalizantes para alunos do ensino médio.

O programa, no fim, trouxe um testemunho do presidente Lula, citado duas vezes pelo candidato petista. Em sua fala, Lula pediu que São Paulo desse a Mercadante a mesma chance que recebeu em 2002 quando foi eleito presidente. O apelo feito por Lula é um dos principais argumentos do senador em seus discursos como candidato. São Paulo jamais elegeu um candidato do PT a governador.

Logo depois, o candidato usou o espaço reservado para a campanha dos candidatos a deputado estadual para reaparecer na TV e dizer que “São Paulo precisa crescer mais rápido”. Sem apresentar os candidatos para o cargo, o PT, que neste ano pretende incentivar o voto na legenda, levou ao ar notícias sobre violência nas escolas para prometer mudanças. “Por que não fez, não fez por quê?”, dizia a propaganda petista, em alusão à gestão tucana no Estado.

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