Favorito, Alckmin chega à eleição sob risco de 2º turno

Líder com larga vantagem durante a disputa, tucano perdeu votos nas últimas duas semanas e está no limite da vitória no 1º turno

Piero Locatelli, iG São Paulo |

O candidato tucano ao governo paulista, Geraldo Alckmin , chega à eleição sem a certeza de que a disputa terminará no dia 3 de outubro. Líder com larga vantagem durante toda a disputa, o tucano perdeu votos nas últimas duas semanas e está no limite da vitória no primeiro turno- segundo a última pesquisa Vox Populi/Band/ iG , ele tem 50% dos votos válidos. 

Mesmo com a possibilidade de segundo turno, a campanha tucana diz acreditar que o desempenho de Alckmin está dentro do esperado. Segundo as previsões do partido no começo da eleição, o adversário petista ao Palácio dos Bandeirantes, Aloizio Mercadante , chegaria a ter entre 30% e 35% dos votos – o que ainda não aconteceu. Além disso, nas 4 vitórias dos tucanos na disputa pelo governo estadual nos últimos 16 anos, somente uma delas foi decidida no primeiro turno -pelo presidenciável do partido, José Serra , em 2006.

A agenda planejada para o candidato desde o início da campanha não sofreu grandes modificações nos últimos três meses. Os eventos foram distribuídos pelo Estado de forma proporcional à população de cada lugar e caminhadas nas ruas foram priorizadas no último mês.

Alckmin, porém, intensificou os ataques ao seu principal adversário, Aloizio Mercadante (PT), no último mês em seu horário eleitoral. Acusou o senador de ser ausente no Congresso Nacional, lembrou do escândalo dos “aloprados” e disse que as prefeituras petistas não tinham saneamento.

Em todos os seis debates, Alckmin teve comportamento oposto ao do horário eleitoral e evitou o confronto direto com Mercadante. A estratégia foi bem sucedida nos últimos três encontros, onde o petista e o tucano não fizeram perguntas um ao outro.

Serra

Na eleição de 2008, Alckmin foi deixado de lado por parte do seu partido, que apoiou Gilberto Kassab (DEM) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, e perdeu a eleição no primeiro turno. José Serra, governador do Estado à época, foi um dos principais fiadores da campanha do democrata e contrario à candidatura de Alckmin.

A rusga entre os tucanos tentou ser amenizada por Serra em janeiro de 2009, quando Alckmin aceitou o convite para ser secretário de Desenvolvimento.

A disputa entre os tucanos se refletiu no início da campanha deste ano, quando Serra mal aparecia no material de Alckmin e não dava as caras em seu horário eleitoral. Mas diante da queda de Serra nas pesquisas no Estado e da pressão do PSDB nacional, o candidato ao governo do Estado ajudou seu correligionário.

 Com a intensificação da campanha de Serra no Estado, Alckmin cancelou muitos eventos para estar ao lado do candidato à Presidência em agendas marcadas pelo presidenciável em cima da hora. Ele também pediu votos para Serra em discursos e nas considerações finais de debates. Em seu horário eleitoral, lembrava constantemente de Serra e chegou até a citar o escândalo da quebra do sigilo da filha do candidato à Presidência. Sua campanha imprimiu material com os dois juntos e organizou grandes eventos onde o candidato à Presidência era promovido –como o encontro com mais de 300 prefeitos tucanos em uma casa de show paulista, todo bancado pela campanha estadual.

Propostas

Alckmin pode ser eleito hoje sem ter apresentado um programa de governo. Desde o dia 16 de junho, a elaboração dele é coordenada pelo deputado federal José Aníbal, mas seu teor completo até agora não foi divulgado - apesar da promessa do candidato de fazê-lo antes da eleição.

Sem um programa consolidado, Alckmin divulgou suas propostas a conta-gotas nos últimos meses, priorizando a continuidade das políticas dos tucanos no Estado nos últimos 16 anos.

No transporte, prometeu aumentar a abrangência do bilhete único, implantado na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT), e terminar as obras da linha amarela do metrô, começada por ele em sua gestão no governo entre 2003 e 2006. Também disse que acabará o trecho leste do Rodoanel.

Prometeu também ampliar as escolas e faculdades técnicas no Estado (Fatecs e Etecs) e retomar o programa Escola da Família, minguado na gestão de Serra. Ele ainda prometeu a expansão dos ambulatórios de especialidades (AMEs) e do Programa de Saúde da Família.

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