Fãs de políticos intensificam agenda em época de eleição

Dispostos a encarar filas e atos de campanha, eleitores dão a candidatos tratamento de celebridades

Ana Paula Prado, iG São Paulo |

A funcionária pública Malvina Joana de Lima, 59 anos, cumpre um ritual diário em tempos de campanha eleitoral: ligar para a assessoria do Partido dos Trabalhadores de São Paulo para saber a agenda de campanha da ex-prefeita Marta Suplicy, que este ano disputa um mandato de senadora.

Ana Paula Prado, IG São Paulo
Malvina: uma vida por Marta Suplicy
Se tiver comício, Malvina vai. Se tiver passeata, Malvina também vai. Desde 1999, a vida de Malvina é assim. “Já cheguei a dormir em aeroporto para recepcionar a Marta na manhã seguinte”, conta.

Malvina tem guardados vários álbuns de fotos da candidata no apartamento onde vive, no centro de São Paulo. “A Marta fica ótima em tons de rosa”, afirma. “Olha essa foto dela de perfil!”

O hábito de acompanhar a vida de Marta teve início nos tempos em que a então sexóloga apresentava o extinto programa TV Mulher, da Rede Globo, na década de 80. 

Em 1999, já morando em São Paulo, vinda do Rio de Janeiro, encontrou o hoje  senador Eduardo Suplicy (PT-SP), na época marido de Marta, e pediu pra conhecer a petista.

“Ele me levou ao comitê da Marta e, quando ela me viu, falou: ‘ Malvina, agora você faz parte da nossa família’."

Malvina chega a dizer que freqüenta a casa da candidata. “Eu fui filha bastarda criada pela madrasta, nunca recebi carinho na vida. Marta me deu atenção, eu passei a existir para a sociedade. Ela é nossa Lady Di.Ela é tudo pra mim.“

Na fila

Carlos Alberto Silva
Padre Carlos consegue, finalmente, tirar uma foto de Marina Silva
Embora não seja comparada à princesa Diana, a senadora Marina Silva (PV-AC) ganhou pelo menos um fã desde que se lançou candidata ao Palácio do Planalto. 

Às 20 horas do dia 09 de agosto, data escolhida pela presidenciável para lançar sua biografia em São Paulo, o padre Carlos Alberto Silva, de 37 anos, encarou uma fila que chegava até a rua para poder fotografar a candidata, de quem se declara “fã,fã,fã”.

O motivo da admiração, diz ele, tem a ver com a história de vida de Marina. “Ela é um exemplo de superação na vida. Enfrentou a pobreza, a doença, venceu todas as dificuldades”, pontua.

O padre diz manter em sua casa uma imagem de Marina Silva dentro de um livro, mas aguarda ansioso a vez de ele próprio tirar a foto. “Não vou desistir.”

Quando finalmente conseguiu, Silvas deu-se por feliz e disse já saber o que fazer com a imagem. “Vou colocá-la no meu site de relacionamentos e emoldurá-la num porta-retratos.”


Dilma boy

Na campanha presidencial deste ano, a presidenciável petista, Dilma Rousseff, foi descrita como "nova Evita Perón" no vídeo no qual o goiano Paulo Reis, de 25 anos, cantava uma paródia de Telephone, de Lady Gaga. No filme, o "Dilma boy", como ficou conhecido o estudante de publicidade, rebola e canta versos em homenagem à ex-chefe da Casa Civil.

O vídeo, postado no site YouTube em 28 de junho deste ano, foi visto por mais de 250 mil pessoas e acabou sendo transformado em material de divulgação da campanha petista. ”A assessoria de Dilma me ligou pedindo permissão pra postar o vídeo no blog e twitter da candidata”, diz Reis.

nullSegundo ele, a ideia de criar o video surgiu como uma “brincadeira séria”. A intenção dele era criar um “viral” – vídeos que se tornam febre nas mídias sociais – como matéria extracurricular do curso de publicidade que freqüenta na Faculdade Objetivo de Rio Verde, cidade do interior de Goiás onde mora.

Os 15 minutos de fama de Paulo Reis renderam ao estudante mais de 150 entrevistas para veículos de comunicação em uma semana. 

“Tem gente que acha que foi o marketeiro online do Obama, Ben Self, contratado pelo PT para a campanha da Dilma, quem criou o ‘Dilma Boy’. Tenho que repetir que o Dilma Boy é criação minha!”, diz ele, rebatendo a tese de que a equipe que atuou na campanha do presidente americano Barack Obama estaria por trás do vídeo. O time do especialista em marketing digital Ben Self presta consultoria à campanha presidencial de Dilma.

Tucano

Ana Paula Prado, IG São Paulo
Gabriel e o material de campanha do PSDB: futuro como político
Gabriel Carmona Gonçalves, 16 anos, diz interessar-se por política desde os 10 anos de idade, quando fez campanha para uma candidata a vereadora que frequentava a mesma igreja que ele. Membro da Juventude do PSDB, ele vem acompanhando de perto a campanha do presidenciável José Serra.

Seu ídolo na política, entretanto, é o ex-governador de São Paulo já falecido Mário Covas, a quem nunca chegou a conhecer pessoalmente, mas de quem coleciona frases . “Eu ouvia meus pais falarem do Covas e sou admirador de seu caráter e honestidade. Ele é o melhor!”, diz.

Por conta desta admiração, Gabriel chegou ao neto do ex-governador, Bruno Covas, candidato a deputado estadual por São Paulo pelo PSDB, de quem é coordenador do comitê no bairro da Parada Inglesa, trabalho que realiza voluntariamente.

nullO adolescente chamou a atenção depois de se tornar alvo de uma ação do Ministério Público Eleitoral, por conta de um blog criado por ele em 2009, no qual defende a eleição de Serra.

O site www.euqueroserra.blogspot.com foi considerado propaganda política antecipada pelo MPE. “Fiquei sabendo pelo noticiário político que o MP entrou com uma ação contra a empresa que hospeda o blog, para que ele fosse retirado do ar”, revela.

Ainda que isso não tenha acontecido, Gabriel admite que parou de alimentar o blog e concentra-se em outras atividades de campanha.

No roteiro, estão passeatas e comícios em nome dos candidatos do PSDB como Bruno Covas, Serra ou o candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele diz ter organizado, por exemplo, um debate com deputados estaduais e federais na escola em que estuda. O evento, conta, está marcado para o dia 18 de setembro.

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