Fabio Baracat oferecia 'facilidades no BNDES', diz empresário

Autor da denúncia que derrubou a ministra da Casa Civil usava endereço da Empro, de Luiz Vasone, para comandar negócios

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Autor da denúncia que derrubou a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, o empresário Fabio Baracat apresentava-se no meio corporativo como um facilitador da liberação de recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). A afirmação foi feita ao iG pelo empresário Luiz Vasone, dono da Empro Assessoria e Consultoria Empresarial S/C, companhia que deu abrigo a negócios de Baracat.

A Empro ocupa um endereço na Avenida Faria Lima, zona oeste de São Paulo, usado por Baracat para fazer o registro de sua própria empresa - a Banco de Compensação Tributário Sociedade Empresaria Ltda - na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). De acordo com Vasone, Baracat dizia-se amigo de membros do alto escalão do banco estatal de fomento. Afirmava ainda que tinha um tio em Brasília que intermediava seus negócios.

Embora esteja registrada no mesmo endereço da Empro, a empresa de Baracat não possui nenhuma estrutura própria no local, segundo Vasone. Ele também nega ter feito qualquer negócio com o empresário. Ainda assim, o autorizou a usar uma sala no seu escritório, de onde podia dar telefonemas e organizar reuniões.

Ao procurar justificar por que deixava Baracat

Reprodução
Registro da empresa de Baracat na Junta Comercial mostra endereço ocupado pela Empro
usar a estrutura da Empro, Vasoni disse que sempre abre a empresa para amigos. “Ele dizia que não era de São Paulo. Achei que não havia problema em oferecer um lugar para que ele atendesse seus clientes”, disse ele. Baracat, entretanto, consta como proprietário de vários domínios de internet com o nome da Empro, como “emproconsulting.com.br”,” emprosp.com.br” e “grupoempro.com.br”, todas contas inativas.

Vasone disse ter conhecido Baracat há cerca de dois anos, por intermédio de um amigo. “Nunca soube quais eram as atividades do Fabio, nem a formação dele. Almoçamos duas ou três vezes e eu pouco sabia sobre a vida dele”, disse o dono da Empro. Segundo ele, a última vez que Baracat apareceu em seu escritório foi há seis meses. Ele afirmou ainda que chegou a receber duas ligações do empresário no início deste ano. Baracat teria novamente se oferecido novamente para selar uma parceria de negócios e apresentar clientes para Empro.

Perfil

Fabio Baracat apontou à revista Veja a existência de um suposto esquema de lobby comandado por Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. Ele contou à revista que intermediou a renovação de um contrato da empresa MTA Linhas Aéreas com os Correios, tendo contado com a assessoria do filho da antiga auxiliar da presidenciável petista Dilma Rousseff. Segundo Baracat, Israel Guerra cobrava uma “taxa de sucesso”.

Ele apresentou-se à revista como ex-sócio da MTA e da Via Net Express, empresa de transporte aéreo de cargas. As duas companhias negaram no início da semana que o empresário tenha feito parte dos seus quadros societários.

Baracat foi procurado diversas vezes pelo iG desde o último fim de semana. Ele não retornou e-mails nem recados deixados em seu telefone celular. No início da semana, ele divulgou uma nota amplamente veiculada na internet, negando as declarações publicadas pela Veja e negando qualquer envolvimento com a MTA e a Via Net Express.

*Colaboraram Danilo Fariello e Piero Locatelli

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