Exposição de Dilma contribuiu para alta

Segundo cientista político da PUC-SP, participação em diversos programas na TV ajudou a pré-candidata do PT a subir nas pesquisas

Larissa Morais, iG São Paulo |

O resultado da pesquisa Vox Populi de maio, com Dilma Rousseff (PT) à frente de José Serra (PSDB) pela primeira vez (ainda que em empate técnico), não é consenso entre os especialistas em política.

De acordo com o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da PUC-SP, o crescimento da ex-ministra é natural. “Todas as pesquisas recentes apontavam nessa direção, com Serra estabilizado e Dilma em alta, exceto as do Datafolha”, diz. Para ele, a petista apareceu bastante em programas de TV nas últimas semanas, o que teria sido determinante para o eleitor. Em suas visitas aos Estados, a pré-candidata participou de diversos programas populares.

Para o professor Marco Antonio Villa, historiador político da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), a ascensão da petista foi uma surpresa. “Nos últimos dias, Dilma cometeu uma série de equívocos, escorregou em algumas falas, enquanto Serra percorreu regiões onde tem menos popularidade, como o Nordeste”, afirma. Outro motivo para não esperar esse resultado seria o fato de Dilma ter deixado o cargo de ministra da Casa Civil no mês passado e, por isso, aparecer menos em companhia de seu maior cabo eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A saída do deputado federal Ciro Gomes (PSB) da disputa é outra polêmica. Segundo Villa, seus eleitores migraram “em massa” para Dilma. “Com essa pesquisa, a estratégia do governo de insistir na polarizaração da disputa e retirar Ciro se mostrou correta”, diz. Para Couto, o deputado tem efeito neutro. “Não é Ciro que fez a diferença, mas a polarização entre governo e oposição. Sua saída só reforçou isso”, afirma.

Os bons resultados da economia seriam os responsáveis pelo crescimento de Dilma, segundo o professor da PUC-SP. “A virada de percepção da população sobre suas condições de vida foi brutal nos últimos anos. Isso tende a favorecer o candidato do governo”, opina.

Por isso, de acordo com Couto, a ex-ministra é a favorita. “Dilma só perderá a eleição para ela própria, se escorregar durante a campanha”, diz. Já o professor Villa é mais cético. “Não há dúvidas que Lula tem conseguido transferir parte de sua popularidade para Dilma, a questão é saber se este já não é o limite”, afirma.

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