Evento de estudantes em São Paulo vira palanque para Dilma

Além de discursos favoráveis à petista, houve ataques aos candidatos tucanos; Serra foi chamado de ¿Satanás¿

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Mesmo sem a presença dos candidatos do PT à Presidência e ao governo de São Paulo, o evento de abertura do 21º Congresso da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES), realizado nesta quinta-feira, se transformou em palanque para Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante.

O evento, ocorrido na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo (filiado à CUT), reuniu lideranças estudantis e do partido que exaltaram os candidatos petistas nos discursos para cerca de 1.800 estudantes e não pouparam ataques aos adversários tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. A cada fala, a plateia respondia: “Brasil avante, com Dilma e Mercadante”.

Um dos discursos mais exaltados foi o do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). Ele criticou Serra e Alckmin e afirmou que “educação para eles [do PSDB] é com polícia nas ruas”. Depois, ainda chamou o candidato tucano à Presidência de “Satanás”. Os estudantes respondiam com o coro: “Xô, Satanás”. No final, afirmou ainda que Serra “satanizou” a educação e pediu que os estudantes respondessem a isso nas urnas.

Emídio de Souza, prefeito de Osasco e coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, discursou em nome do candidato, que havia confirmado presença, mas acabou não comparecendo. Ele criticou a qualidade da educação no Estado e disse que o Brasil de Lula é diferente do Brasil de FHC, pois na gestão petista o País se livrou do FMI, levantou a cabeça e cresceu. “Dilma é a representação do País que não quer voltar atrás”.

Os ataques aos adversários tucanos continuaram nos discursos de outras lideranças, como o de Valério Benfica, diretor da UMES, que chamou Serra de “aquele careca, sem vergonha. O pior governador que São Paulo já teve”.

Já o presidente do diretório municipal do PT, o vereador Antônio Donato, e o senador Eduardo Suplicy, foram mais brandos nas apresentações. Eles não fizeram ataques, apenas falaram sobre a história de Dilma e citaram projetos do governo federal.

Reivindicações

A presidente da UMES, Ana Letícia Oliveira Barbosa, disse que o objetivo do congresso é propor uma reflexão sobre a campanha eleitoral. Ela defendeu os ataques contra os tucanos e disse que todos os candidatos foram convidados para o evento, inclusive José Serra, que teve, segundo ela, a chance de debater e se defender dos ataques. “Todas as pessoas que estiveram aqui são parceiras da entidade”.

Ela ressaltou que opção política da entidade é clara e disse que o governo Lula foi "sensacional”. “Os estudantes paulistas estão cansados dos 16 anos do PSDB”.

A entidade reclama da atual política educacional do governo e diz que os professores são desvalorizados, as salas de aula estão lotadas e há sucateamento das bibliotecas.

Cartazes

Organizadores e participantes do congresso espalharam pelo local do evento cartazes nos quais descreviam Serra e o secretário de Educação de São Paulo, Paulo Renato de Souza, como “inimigos da educação”. Outra mensagem trazia a frase “Serra = mentira”.

No mesmo espaço também havia a exposição de fotos de lideranças petistas, com imagens de Lula na época em que era sindicalista, e do deputado Ricardo Berzoini.

Também era exibido no local um quadro intitulado “Grandes mulheres do século 20”, com fotos de 16 lideranças femininas. Em meio a imagens da médica Zilda Arns, da madre Teresa de Calcutá e da primeira-ministra indiana Indira Gandhi, estavam fotos da ex-ministra Dilma Rousseff e da ex-prefeita Marta Suplicy.

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