"Estamos aqui celebrando a mulher brasileira", diz Dilma

Durante convenção em Brasília que oficializou sua candidatura à presidência, ex-ministra falou ainda em continuidade da mudança

Andreia Sadi e Ricardo Galhardo |

O PT promoveu neste domingo (13) festa para oficializar a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Participaram do evento Dilma, o presidente Lula, acompanhado de dona Marisa, o vice José Alencar e o deputado Michel Temer (PMDB), entre vários convidados, militantes e integrantes do partido.

"Estamos aqui celebrando a mulher brasileira", disse Dilma durante discurso. "Nosso presidente mudou o Brasil e nosso País quer continuar mudando. É a continuidade da mudança".

Dilma discursou na contramão do tom informal do presidente Lula. Sem empolgar, a petista fez um relato dos resultados obtidos nos programas do governo federal, como o Minha Casa Minha Vida, e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Os projetos são bandeiras da campanha petista.

“Eu quero ser a presidente da consolidação da infraestrutura", afirmou.

Diferentemente de Lula, Dilma foi pouco interrompida por aplausos da plateia. A petista era aplaudida quando repetia que queria ser presidente.


AE/WILSON PEDROSA
Dilma, entre o presidente Lula e Michel Temer, seu vice na chapa à Presidência

Pouco antes, o presidente Lula discursou em tom de despedida . Ele pediu votos para a candidata Dilma Rousseff. Lula lembrou que, pela primeira vez desde 1989, estará fora das eleições presidenciais, mas disse que a petista preencherá o seu "vazio". "Eu mudei de nome e pus Dilma na cédula", afirmou, arrancando aplausos.

O vice de Dilma, deputado Michel Temer (PMDB), também falou. Segundo ele, o partido estará de "alma" na campanha.

Os ataques à oposição ficaram por conta do presidente do PT, José Eduardo Dutra, que disse que, com o ex-governador José Serra, o povo não será surpreendido. "Não terá surpresa porque o povo sabe o fracasso que foi o governo do PSDB".

Mulher brasileira

O evento teve início por volta das 10h no Unique Palace, em Brasília, e o destaque foi a mulher brasileira . “Pátria mãe. Pátria mulher. Uma celebração à mulher brasileira”. O texto nos crachás dos delegados da convenção nacional do PT dimensionava a importância conferida ao tema no evento. Desde os artistas até os convidados para compor a mesa, passando pela decoração, tudo remetia à mulher.

O Samba de Rainha tocou o hino nacional, grupo de sete mulheres - quatro percussionistas, duas instrumentistas e uma vocalista. Entre as convidadas do PT estavam Maria da Penha, que deu nome à Lei que protege as mulheres da violência doméstica. Trecho de uma carta de Maria Conceição Tavares para Dilma foi lida na convenção, já que a economista não pode ir ao evento.

Para homologar Dilma, o partido esperava receber hoje 1.300 pessoas - entre autoridades e militantes. Pouco antes do início da convenção, o PT lançou o jingle da candidata Dilma Rousseff. Reforçando a ideia de mulher forte, o partido convocou a militância a repetir as palavras de ordem no evento.

A letra do jingle “Eu vou com Dilma, uma grande brasileira” foram exibidas em um telão . A música tocada no congresso do PT, em fevereiro, também foi repetida “Ele é o cara ela é coroa”.

Gasto não divulgado

Diferentemente do que ocorreu no Congresso do PT, as passagens e hospedagens dos militantes não serão pagas pelo partido, segundo o presidente José Eduardo Dutra. Mas o PT se recusou a informar o montante gasto na convenção que oficializou a candidatura de Dilma. A resposta padrão, que segundo dirigentes será adotada em toda a campanha, é que os valores serão informados apenas à Justiça Eleitoral.

Abordado pelo iG sobre o custo da convenção, o tesoureiro do partido, João Vaccari, respondeu irritado: “não sei”.

Questionado sobre a suposta falta de transparência, Vaccari disse: “para você pode ser falta de transparência. Pode chamar como quiser. Mas tudo será declarado à Justiça Eleitoral”. Segundo ele, a decisão de esconder os gastos é uma estratégia de campanha. “Cada partido tem a sua estratégia. A nossa é não divulgar”, disse o tesoureiro petista.


Nova fase

Sem a condição de pré-candidata, Dilma entrará na nova etapa da campanha com a estratégia de evitar confronto direto com os outros presidenciáveis, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). No primeiro compromisso público após a convenção, a ex-ministra deveria ir a uma sabatina, mas cancelou a agenda. A coordenação da campanha quer, por ora, evitar eventos onde ela precise polemizar ou se expor. A petista aproveita o início da Copa do Mundo para fazer o giro pela Europa. Ela deverá ser recebida por autoridades da França, Espanha e Portugal como a candidata preferida de Lula.

Em seguida, fará um tour pelo Nordeste nas tradicionais festas juninas. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que arrastará a petista para Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Aracaju (SE).

Nesta segunda etapa da disputa, Dilma deverá contar com a ajuda do seu principal cabo eleitoral, o presidente Lula, mais de perto. No começo do mês, o presidente disse que a lei eleitoral não o impede de fazer campanha no período destinado a essa finalidade.

Com recorde de popularidade, Lula é requisitado por Dilma e candidatos a governador, senadores e deputados. O partido espera que o presidente participe de uma agenda intensa de comícios e gravação de programas eleitorais pelo País.


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