Governador do Paraná se fortalece no interior

07/10 - 08:16

Fernando Mendonça, Especial para o iG

CURITIBA - O PMDB, partido do governador Roberto Requião, foi o grande vencedor das eleições no Paraná. Dos 399 municípios do Estado, 132 serão comandados por um prefeito desta legenda a partir de 2009. Requião está em seu segundo mandato consecutivo como governador e já se articula politicamente para deixar o posto em 2010.

A vitória do PMDB no Paraná, agora com um terço dos municípios, revela que os seis anos de governo Requião não provocaram tantos “estragos” políticos como procuram demonstrar seus adversários no Estado. Conhecido pelo destempero no trato das questões, muitas delas delicadas, Requião amanheceu fortalecido nesta segunda-feira pós-eleições.

A façanha do governador só não foi mais expressiva porque em Curitiba, capital e maior colégio eleitoral do Estado, o prefeito Beto Richa (PSDB) foi reeleito com 77% dos votos válidos, o maior índice já verificado na cidade. Além de Curitiba, os tucanos abocanharam neste primeiro turno mais 37 prefeituras. Em outras palavras, o PSDB ficou com 10% do Estado. 

Os demais grandes partidos não ficaram muito longe do desempenho eleitoral do PSDB de Beto Richa: em terceiro lugar apareceu o PP (37 municípios), depois PDT (36) e PT (32). Londrina e Ponta Grossa irão decidir a eleição no segundo turno. Em Londrina disputarão candidatos do PSDB e do PDT. E, em Ponta Grossa, o prefeito será do PSDB ou do PPS.

Independentemente dos resultados nesses dois municípios, não será alterada a futura composição partidária estadual. Com isso, a mensagem das urnas no Paraná é clara: a corrida eleitoral para o Governo do Estado, daqui a dois anos, será entre o candidato de Requião/interior x Beto Richa/capital.

O desafio de ambos não é pequeno. Requião precisa “reconquistar” o eleitor curitibano caso pretenda ter alguma chance real de eleger um dos seus. Não foi o que aconteceu nestas eleições municipais, em que o candidato do governador, Reitor Moreira, não passou de 2% das intenções de voto em todas as pesquisas.

Já o prefeito Beto Richa tem sua trajetória fortemente calcada em Curitiba, cidade considerada modelo no Brasil mas com baixa aderência junto ao eleitor do interior do Paraná, onde alguns municípios, sobretudo os do chamado Norte Pioneiro, encontram mais identidade com o Estado de São Paulo.

O trunfo de Beto Richa nesse quesito é o fato de ele ser natural de Londrina, segundo maior município do Estado e onde seu pai, José Richa (um dos fundadores do PSDB, há 20 anos), deu a largada à sua carreira política.

Por seu lado, Requião tem nas mãos o Governo e, consequentemente, o poder de definir sobre obras, repasse de recursos, investimentos e toda forma de apoio que deve ser dada aos municípios - sejam os 132 do PMDB, sejam os 38 do PSDB. Alguns analistas políticos do Paraná, contudo, vêm afirmando não ser improvável uma composição entre Requião e Richa.

Em silêncio por enquanto, quem observa os passos dessa dança é o senador Osmar Dias (PDT), irmão do também senador e ex-governador Álvaro Dias (PSDB). Osmar jamais escondeu a intenção de, como o irmão, um dia ocupar o Palácio Iguaçu (sede do Governo do Paraná). Álvaro sempre quis voltar. E Beto Richa, com 77% dos votos curitibanos, entende que já está na hora de chegar lá.  Nenhum deles, porém, é do PMDB.

Topo