Resultado do DEM gera desconforto interno em Pernambuco

28/10 - 18:31

Agência Nordeste

RECIFE – Partido de oposição em nível nacional, estadual e municipal, o Democratas sofreu em vários Estados o ônus político por esse posicionamento. Em Pernambuco, a sigla, que em 1994 tinha 42 prefeitos, viu esse número ser reduzido a menos da metade, com apenas 19. Além dessa dificuldade em relação à posição ideológica, o deputado estadual Maviael Cavalcanti (DEM) preferiu fazer uma autocrítica que gerou um certo desconforto entre os correligionários. Afirmou que as lideranças do Estado cometeram um “grande equívoco”, que seria o de não terem participado das campanhas no interior, perdendo contato com eleitores e a proximidade com os candidatos. 

“Na realidade, nossas lideranças ficam muito dentro de Brasília ou na capital. Nossos líderes tinham a obrigação de participar de toda campanha política no interior. Roberto Magalhães, Joaquim Francisco, Marco Maciel, Mendonça Filho. Eles deveriam participar para incentivar os candidatos do interior e também se tornarem mais próximos do eleitorado. O Democratas tem cometido esse grande erro e espero que isso se modifique”, preconizou, em entrevista à rádio Folha FM 96,7. 

Desde o pleito municipal de 2004, a legenda passou por uma série de mudanças programáticas. Alteração de nome – passando de PFL para o atual DEM - e, sobretudo, a oxigenação do partido, com a juventude ganhando espaço na direção nacional. É exemplo prático disso o atual presidente, deputado federal Rodrigo Maia, com apenas 38 anos. Mesmo assim, o partido vem amargando derrotas consideráveis nas últimas eleições. 

Maviael ainda disse que essa obrigação de colocar as lideranças partidárias em sintonia com as bases interioranas é atribuição direta do presidente regional, que é o ex-governador Mendonça Filho. Ele avisou que irá sugerir uma reunião para se discutir as possíveis falhas que ocorreram na campanha. “Na realidade, nossas lideranças estão um pouco afastadas da política e isso é o fim do partido”, desabafou. 

Concordando com parte das avaliações do correligionário, o ex-prefeito Joaquim Francisco revelou que a sigla não organizou a participação das lideranças nos embates eleitorais. “Eu mesmo não fui chamado por ninguém da cúpula para uma organização, uma sistematização da campanha. Cada um agiu da maneira que achava melhor, ficando com suas bases”, explicou. De qualquer forma, fez questão de frisar que visitou as cidades do interior e falou que é preciso reavaliar as posições partidárias. “A cada dia que passa o partido está perdendo mais espaço em Pernambuco. Chegamos a ter 110 prefeitos. Hoje, estamos com 19”, alertou.

Integrante da executiva nacional da legenda, o deputado federal André de Paula, disse que escuta com muito “respeito” e “acata” as críticas feitas, mas defendeu que esse debate seja feito internamente “para que o partido saia mais forte e não mais fraco”. Posicionamento semelhante, aliás, ao de Mendonça. “Não vou fazer uma discussão interna pela imprensa. É complicado falar sobre esse tema sem ter escutado exatamente o que Maviael falou”, argumentou, confirmando a possibilidade de uma reunião com os colegas para debater em cima de erros e acertos. De maneira geral, o ex-governador considerou positivo o desempenho da agremiação.

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