Luizianne indicará presidência da Câmara dos Vereadores de Fortaleza
14/10 - 08:46
Agência Nordeste
FORTALEZA - "O interesse da prefeita se sobrepõe à vontade dos próprios vereadores." Essa afirmação foi feita nesta segunda-feira, pelo vereador Carlos Mesquita (PMDB) sobre o processo de sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal para a próxima gestão.
Há, nos corredores daquela Casa Legislativa, conversas entre os parlamentares reeleitos e até mesmo os novos que passarão a ser detentores de mandatos a partir de janeiro do próximo ano, para a formação de grupos que tenham poder de barganhar cargos na composição da mesa. Entretanto, a discussão sobre o novo presidente, garantem os próprios vereadores, passará pela indicação da prefeita Luizianne Lins, que ainda não se manifestou sobre o nome indicado, como revela o o jornal "Diário do Nordeste".
O peemedebista, que já foi presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, está colocando seu nome à disposição dos colegas como candidato, mas admite que o novo presidente sairá da indicação da prefeita. "Eu, como presidente que fui, conheço o trâmite dessas discussões e tenho convicção de que o novo presidente será indicado pela prefeita Luizianne, que irá se sobrepor, inclusive, aos interesses dos próprios parlamentares", assegurou, quando visitava, na manhã desta segunda-feira, o gabinete do vereador José do Carmo (PSL), vice-presidente da Casa, que também é apontado pelos colegas como pré-candidato ao cargo principal do Legislativo municipal.
Além dos já citados, Walter Cavalcante (PHS), Guilherme Sampaio e Salmito Filho, ambos do PT, também disputam a vaga hoje ocupada pelo vereador Tin Gomes (PHS), eleito vice-prefeito de Fortaleza. A esperança de Carlos Mesquita, especula-se, é por informações de que o vereador Guilherme, líder da prefeita neste primeiro mandato, estaria de saída para a Secretaria de Educação do Município, o que faria entrar o 1º suplente da coligação, Deodato Ramalho (PT).
Teoricamente, segundo as contas de Mesquita, seria um a menos na concorrência. Tais especulações, somadas a outras, que circulam nos bastidores, só irão chegar ao fim quando a prefeita se manifestar, o que ainda não aconteceu, segundo o presidente da Casa, vereador Tin Gomes. "Aos vereadores que estão me procurando eu estou pedindo calma porque ainda está muito cedo. A prefeita ainda não me procurou para tratar do assunto", assegurou Tin.
Ele também garante que o novo presidente sairá da indicação da prefeita. "É claro que sim. Ela vai procurar uma pessoa que tenha liderança, seja aliado do executivo e tenha bom trânsito com todos os vereadores", disse Tin Gomes, em contato por telefone.
No mesmo momento em que a reportagem do "Diário do Nordeste" estava no gabinete do vereador José do Carmo, vice-presidente da Câmara, tratando justamente sobre o assunto, chegaram os vereadores Carlos Mesquita (PMDB) e João Batista (PRTB). Este último já havia recebido a equipe de reportagem em seu gabinete, oportunidade em que informou estar articulando, junto a outros vereadores, como Mário Hélio (PMN), Carlos Sidou (PV) e Luciram Girão (PSL), um grupo que recebeu adesão de mais 8 parlamentares, entre reeleitos e novatos, para terem respaldo de cobrar cargos na nova composição da Mesa da Câmara. "Podemos pedir até dois cargos, mas isso ficará para um momento posterior", avisou.
Ele admitiu também que já conversou com o vereador Guilherme Sampaio (PT), Salmito Filho (PT) e José do Carmo (PSL), além de ter recebido o mesmo convite do vereador Walter Cavalcante, mas a conversa ainda não aconteceu. Não há, no entanto, um posicionamento a respeito do assunto, segundo ele.
"Nosso grupo vai ser o fiel da balança na eleição. Não descartamos discutir com outros grupos que também estão formados, mas por enquanto certo mesmo são esses vereadores", disse o parlamentar, que preferiu resguardar os nomes dos novatos, para não dificultar as negociações.
Entre os vereadores que se manifestaram sobre o assunto, até mesmo o presidente Tin Gomes, há um consenso: a indicação de um novato para a presidência se tornaria inviável por este não conhecer o trâmite da Casa legislativa e ainda não ter a confiança dos demais vereadores. É o que eles chamam de "capacidade de aglutinar", que também acaba pesando na hora de pedir o voto dos companheiros. Para além disso, pelo posicionamento de Tin Gomes contrário à possibilidade, a prefeita deve optar mesmo por um veterano. "Na minha visão é muito difícil", disse.
"Fica complicado para um novo (vereador eleito este ano para o primeiro mandato)porque o presidente da Casa tem que ter amplo conhecimento sobre o Regimento Interno e também sobre a Lei Orgânica do Município e um novato dificilmente reúne essas características", argumentou o vereador Zé do Carmo, assegurando que mesmo sendo indicado da prefeita, um novato teria dificuldades de se eleger.
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