De onde vem a água do caminhão pipa?

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo |

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Água subterrânea retirada de aquífero não é suficiente para abastecer região metropolitana de São Paulo

Com o extraoficial desabastecimento de água na cidade de São Paulo, o paulistano vê no caminhão pipa a solução de um problema. No entanto, é uma solução imediata e para o curto prazo. Fora a impossibilidade logística de abastecer uma megalópole por carreto, a água do caminhão pipa é proveniente do subterrâneo, dos aquíferos, que não têm vasão suficiente para abastecer a todos.

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Leonardo Benassatto/Futura Press
Caminhão pipa abastece local para a realização do show do grupo Public Enemy, no dia 18/10

A água dos caminhões pipa é proveniente dos aquíferos, reservatório de água subterrânea. Empresas da região metropolitana de São Paulo retiram a água de poços artesianos de 300 metros de profundidade e localizados na Grande São Paulo. Geralmente, o abastecimento de água na capital é feito a partir dos sistemas de represas, com águas superficiais.

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Na região metropolitana de São Paulo, a água dos poços artesianos vem dos aquíferos Cristalino e Sedimentar, com capacidade estimada de 16 mil litros/segundo, no entanto, 10 mil litros/segundo já são retirados pelos 12 mil poços privados já existentes. Para abastecer a região metropolitana inteira seriam necessários 67,7 mil litros por segundo. A conta não fecha.

Fora a impossibilidade de abastecer toda a cidade – a água do aquífero disponível na região metropolitana de São Paulo equivale a um décimo da demanda –, há ainda um risco ambiental.

Veja imagens da seca em São Paulo:

Represa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

O geólogo Luiz Fernando Scheibe, coordenador do projeto Rede Guarani/Serra Geral, alerta sobre o risco de depressão do nível da água do aquífero, que inviabilizaria poços mais antigos e menos profundos. “Um caso notório é Ribeirão Preto [SP], que usa água retirada do Aquífero Guarani para abastecer a cidade. Desde que estão controlando, há 40 anos, o nível desceu 60 metros”, disse.

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O iG conversou com empresas que atuam no mercado há mais de 30 anos, são certificadas e têm a outorga para a perfuração de poço. Seis empresas relataram um aumento entre 30 e 50% pela procura de caminhões pipa nos últimos dois meses. Os preços também subiram: dois meses atrás, o preço de mil litros era R$ 500 em média. Agora o valor está entre R$ 1,5 mil e R$ 2.250.

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