Cerca de 14% da população está desabrigada e falta água e luz; município busca doações de materiais de construção e comida

Em poucos minutos, o tornado que atingiu Xanxerê (SC) nesta segunda-feira (20) transformou parte da cidade em um "campo de batalha" , comparou o prefeito Ademir José Gasparini (PSD), enquanto ainda contabilizava os danos, na tarde desta terça-feira (21). 

"É uma situação indescritível. Fiz um sobrevoo na cidade, a gente vê uma cena de guerra, um campo de batalha onde não sobrou praticamente nada. Caminhões de roda para cima, carros amontoados, casas que saíram de um local e foram parar de outro lado da rua", diz Gasparini, em entrevista ao iG , por telefone. "É uma coisa assim que a gente não imaginava ver na vida."

Veja imagens da tragédia em Xanxerê

O tornado - uma espécie de funil de ventos que desce de uma nuvem de grandes dimensões e atinge o solo - ocorreu por volta das 15h e passou por seis bairros de Xanxerê. Os ventos, segundo o prefeito, chegaram a 200 km/h, o que classifica o evento na categoria 2 de uma escala de 0 a 5. 

Cerca de 7 mil pessoas, ou 14% da população total da cidade, está desabrigada. O ginásio da cidade, que poderia servir de abrigo, desabou.

"Quase 3 mil residências foram atingidas e a maioria delas não foi destelhamento. Foi praticamente destruição total", afirma Gasparini. "A grande maiora [ dos desabrigados ] está em um vizinho, num parente perto de casa. E temos como base de apoio as escolas municipais e estaduais, com colchões e cozinha para servir alimentação e dar uma assitência", diz o prefeito.

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Com a queda de cinco torres de energia elétrica, falta luz em toda a cidade, e o abastecimento de água também foi prejudicado. Postos de saúde, centros comunitários e escolas foram danificadas, e  e as aulas tiveram de ser suspensas por tempo indeterminado.

"Precisamos que se restabeleça energia elérica. Até que isso aconteça, não temos previsão de quando poderemos voltar a uma normalidade."

Um centro de apoio foi montado no Centro de Exposições da Feira Estadual do Milho (Femi), na rua José de Miranda Ramos, 455, para receber doações, e uma conta corrente para doações em dinheiro será abertapela Prefeitura.

"O que a cidade precisa agora é de comida, roupa, água e, principalmente, de material de construção", enumera o prefeito.

Gasparini decretará situação de calamidade pública, e deve ter essa situação reconhecida pelo governo do Estado. As medidas permitem à prefeitura fazer contratações mais rapidamente e dá acesso a recursos municipais, estaduais e federais reservados para essas ocasiões. O estrago, entretanto, ainda não terminou de ser contabilizado.

"Não tem uma previsão exata [ do volume de recursos financeiros que será necessário ]", diz o prefeito. "A proporção do estrago é muito grande."


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