Especialistas apontam que só TV deve definir resultado

Cientistas políticos ouvidos pelo iG disseram que o cenário eleitoral só deve se consolidar após o começo do horário político

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Apesar dos resultados da pesquisa Vox Populi divulgados nesta sexta-feira (23) apresentarem vantagem para a candidata do PT, Dilma Rousseff, especialistas acreditam que ainda é cedo para traçar qualquer cenário definitivo sobre a corrida presidencial.

Segundo os cientistas políticos ouvidos pelo iG, somente após o horário eleitoral será possível traçar um cenário político consistente sobre a dianteira de qualquer candidato.

Para Amaury de Souza, da MCM Consultores Associados, o início de qualquer campanha é marcado pelo desinteresse do eleitorado, que só começa a se aproximar do debate após a exposição dos candidatos na televisão. “O mês de julho é caracterizado por um vácuo entre o fim das convenções partidárias e o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Os eventos de campanha antes disso não atingem o eleitor e qualquer estratégia é impossível de ser avaliada nesse período”, aponta Souza.

De acordo com Amaury de Souza, é difícil avaliar se a dianteira de Dilma Rousseff ainda é reflexo da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou do traquejo que a candidata adquiriu nessas duas primeiras semanas de campanha.

O cientista político Marcus Figueiredo, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IESP/UERJ) avalia que o crescimento de Dilma Rousseff desde o ano passado é reflexo do conhecimento que a candidata adquiriu junto ao eleitorado. “Desde quando a candidata do PT saiu da Casa Civil, a estratégia de Lula vem sendo a de colar sua imagem na dela, gerando até mesmo multas contra o presidente. Esse conhecimento, casado com a enorme aceitação do presidente e da avaliação do governo, elevaram a candidatura da petista”, afirma.

Figueiredo avalia que o crescimento de Dilma não foi uma surpresa para os especialistas em pesquisa, já que desde o início do ano a petista apresenta uma curva ascendente nas pesquisas, enquanto Serra apresenta queda em todas as curvas de intenção de voto. “Mesmo nas sondagens que mostram empate entre Dilma e Serra, a curva é mais favorável à candidata do PT”, justifica.

Efeito Marina
Apesar do desempenho baixo da candidata do PV, Marina Silva, que apareceu com 8% das intenções de voto nesta nova sondagem do Vox Populi, os cientistas políticos afirmam que a candidata pode desequilibrar o jogo e forçar um 2° turno entre Dilma e Serra. Para Marcus Figueiredo, o projeto ambiental de Marina ainda não empolgou o eleitorado, mas pode ser o fiel da balança na reta final da campanha. “Para ser competitiva, Marina precisa superar a barreira dos 12 pontos percentuais. Por hora seu projeto não empolgou o eleitor e o pouco tempo de TV do seu partido não garantem que isso ocorrerá. A esperança da candidata está na participação nos debates a partir de agosto”, disse Figueiredo.

A opinião é compartilhada por Amaury de Souza. Ele afirma que os debates serão o diferencial entre os três postulantes ao Planalto. Segundo ele, a partir da exposição na televisão será possível dizer se a candidata do PT conseguiu ou não andar com as próprias pernas e se o projeto de Marina tem fôlego para chegar ao 2° turno. “O eleitor médio só decide o voto na reta final, após comparar o desempenho dos candidatos na TV. Nesse ponto Serra é mais experiente na exposição midiática e exigirá maior empenho das duas candidatas”, diz Souza.

    Leia tudo sobre: Vox PopuliDilmaSerra

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG