ES: Serra ganha mais votos em redutos eleitorais de Marina

Embora tenha perdido no Estado para Dilma no primeiro turno, o tucano venceu a petista no segundo de 50,83% a 49,17%

Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Apesar de o PSDB capixaba ter conseguido eleger apenas um candidato nestas eleições – um deputado federal –, o Espírito Santo foi um dos 11 Estados em que o presidenciável derrotado tucano, José Serra, foi vitorioso. Ele obteve 50,83% dos votos capixabas, enquanto a presidenta eleita, Dilma Rousseff (PT), ficou com 49,17%.

Dentre os tucanos capixabas, apenas o deputado estadual César ColnagoFederal terá mandato a partir de 2011. Os deputados federais Luiz Paulo Vellozo Lucas e Rita Camata, ambos do PSDB, não terão mandato a partir de 2001. O primeiro por ter perdido as eleições para o governo do Estado e a segunda por não ter conquistado vaga no Senado. Na Assembleia, o partido ficou sem representantes.

Contudo, o DEM, grande aliado dos tucanos, tem a maior bancada no legislativo estadual e elegeu os deputados mais votados do Espírito Santo. O primeiro é o novato Rodney Miranda, ex-secretário de Segurança do atual governador Paulo Hartung (PMDB). Já o segundo é o experiente Theodorico Ferraço, um dos políticos mais antigos do Estado, tradicional de Cachoeiro do Itapemirim, onde Serra venceu a eleição por 60,56% dos votos. O PPS e PTB, também partidos da coligação de Serra, conseguiram colocar dois parlamentares na Ales, o que não aconteceu na legislatura que começou em 2007.

Tucanos conquistam votos em redutos de Marina
No primeiro turno, o cenário foi diferente: Dilma teve 37,25% e Serra, 35,44%. Ou seja, ele subiu 35% em relação à primeira parte da disputa e ela, 33%. Por sua vez, a presidenciável derrotada do PV, Marina Silva, havia conquistado 26.6% dos votos. Foi exatamente nos municípios em que a verde teve seus melhores desempenhos que o tucano cresceu.

Em Vila Velha, onde Marina venceu com 38% dos votos, Serra subiu 69% em relação a sua votação anterior e Dilma, 46%. Antes em terceiro na votação, o tucano passou a primeiro e obteve 53,11% dos votos. Foi lá que o candidato derrotado do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira, foi fazer carreata em favor do PSDB na quinta-feira da semana das eleições. A tática, segundo os tucanos, era exatamente esta: conquistar os votos verdes.

A senadora do PV também ganhou o primeiro turno na capital do Espírito Santo, Vitória, com 38% dos votos. Nos seus trilhos, o tucano conseguiu o primeiro lugar por lá, crescendo 59% em relação à etapa anterior. Já na cidade de Serra, o maior colégio eleitoral capixaba e uma das cidades onde a verde conquistou o segundo lugar, a petista foi vitoriosa. No entanto, enquanto o tucano teve 87% mais votos do que no primeiro turno, Dilma cresceu apenas 44%.

Também nos outros quatro municípios em que Marina ficou em segundo lugar, José Serra se destacou. Em Cariacica, cresceu 62% e Dilma 38%; em João Neiva 67% e 35%; em São Mateus, 46% e 20%; e em Viana, 58% e 34% – ¬o tucano venceu apenas em João Neiva.

Se Hartung tivesse atuado, Dilma teria ganhado, diz Luiz Paulo
Segundo o deputado federal tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, a estratégia do PSDB foi concentrar na Grande Vitória, região metropolitana, onde Marina foi vitoriosa. Ele ressalta que a única região em que o tucano foi mal foi a noroeste, a mais pobre do Estado, onde há muito influência do Bolsa Família. “É uma região de agricultura mais atrasada”, justificou.

No primeiro turno, o senador Renato Casagrande conseguiu se eleger ao governo do Estado com 82,3% contra apenas 15,5% de seu adversário, Vellozo Lucas. Para o deputado, a vitória de Casagrande, segundo ele, é reflexo da influência do atual governador, Paulo Hartung (PMDB), e não do presidente Lula. Segundo, há insatisfação em relação ao governo federal no Estado, por causa das estradas e da segurança pública.

“Aqui no Espírito Santo houve um total descolamento entre os processos de disputa regional e nacional. Foi a força do governo estadual que elegeu o Renato Casagrande. Se ele ( Hartung ) tivesse atuado, ela ( Dilma ) teria ganho”, avaliou Luiz Paulo.

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