Lula aceita carta de demissão da ministra, após agravamento do caso sobre suposto esquema de lobby no governo federal

A Ministra-Chefe da Casa Civil Erenice Guerra deixou o governo neste quinta-feira. Ela pediu demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após agravamento do caso que envolveu familiares seus em um suposto esquema de lobby dentro do governo federal.

"Agradecendo a confiança de Vossa Excelência, ao designar-me para a honrosa função de Ministra- Chefe da casa Civil da Presidência da República, solicito em caráter irrevogável, que aceite meu pedido de demissão", escreve Erenice na carta de demissão.

A gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior , deve substituir Erenice na Casa Civil.

O secretário-executivo Carlos Eduardo Esteves Lima responde pela pasta até segunda-feira, quando será anunciado oficialmente o nome de quem asume o cargo.

A situação de Erenice no comando da Casa Civil foi abalada pela denúncia publicada no último fim de semana pela revista Veja , apontando o suposto envolvimento de seu filho, Israel Guerra, no suposto esquema de tráfico de influência dentro do governo.

Desde então, a avaliação que começou a ganhar força dentro do governo é a de que o caso provocou um desgaste grande demais na campanha da presidenciável petista, Dilma Rousseff.

Erenice assumiu o ministério em substituição à própria Dilma, que saiu da pasta para concorrer ao Palácio do Planalto. Ela era secretária-executiva do ministério e braço direito da candidata à Presidência.

Leia a íntegra da carta de demissão de Erenice Guerra:

"Senhor presidente,

Nos últimos dias fui surpreendida por uma série de matérias veiculadas por alguns órgãos de imprensa contendo acusações que envolvem familiares meus e ex-servidor lotado nesta Pasta.

Tenho respondido uma a uma, buscando esclarecer o que se publica e, principalmente, a verdade dos fatos, defrontando-me com toda a sorte de afirmações, ilações ou mentiras que visam desacreditar meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo.

Não posso, não devo nem quero furtar-me à tarefa de esclarecer todas essas acusações e nem posso deixar qualquer dúvida pairando acerca da minha honradez e da seriedade com a qual me porto no serviço público. Nada fiz ou permitir que se fizesse ao longo de 30 anos de minha trajetória pública, que não tenha sido no estrito cumprimento de meus deveres.

Prova irrefutável dessa minha postura é que já solicitei à Comissão de Ética abertura de procedimento para esclarecimento dos fatos aleivosamente contra mim levantados, à Controladoria-Geral da União a auditagem dos atos relativos à ANAC, dos Correios e da contratação de parecer jurídico ELE, além de solicitar ao Ministério da Justiça a abertura dos procedimentos que se fizerem necessários no âmbito daquela Pasta para também esclarecer os citados fatos.

No entanto, mesmo com todas essas medidas por mim adotadas, inclusive com a abertura dos meus sigilos telefônico, bancário e fiscal, a sórdida campanha para desconstituição de minha imagem, do meu trabalho e da minha família continuou implacável. Não apresentam uma única prova sobre minha participação em qualquer dos pretensos atos levianamente questionados, mas mesmo assim estampam diariamente manchetes cujo único objetivo é criar e alimentar artificialmente um clima de escândalo. Não conhecem limites.

Senhor Presidente, por ter formação cristã não desejo nem para o pior dos meus inimigos que ele venha a passar por uma campanha de desqualificação como a que se desencadeou contra mim e minha família, fazendo com que a verdade prevaleça, o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil.

Por isso, agradecendo a confiança de Vossa Excelência ao designar-me para a honrosa missão de Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da Reppública, solicito, em caráter irrevogável, que aceite meu pedido de demissão.

Cabe-me, daqui por diante, a missão de lutar para que a verdade dos fatos seja restabelecida.

Brasília, 16 de setembro de 2010

Erenice Guerra"

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