Entenda melhor os assuntos que guiaram acusações do debate

No embate mais duro da eleição, petista e tucano omitiram informações ou distorceram declarações do adversário

Alessandra Oggioni e Piero Locatelli, iG São Paulo |

No embate mais duro travado desde o início da eleição deste ano, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) trouxeram para a campanha temas que até agora tinham ficado de lado no confronto entre os candidatos. Em meio à troca de ataques que persistiu durante todo o evento, os dois adversários omitiram detalhes dos episódios ou, em alguns casos, distorceram declarações suas ou do adversário. Entenda melhor alguns dos principais assuntos que serviram de base para o confronto deste domingo.

Liberação do aborto

Serra apoiou-se no tema do aborto para criticar Dilma em mais de uma ocasião. Disse que a petista defendeu o procedimento - mencionando uma fala dela em sabatina na Folha de S. Paulo - e depois teria voltado atrás. "Aí se trata de ser coerente, de não ter duas caras", disse. Na entrevista em questão Dilma defendeu a descriminalização do aborto, ou seja, que as mulheres que tenham realizado o procedimento não estejam sujeitas à lei existente atualmente, que pode chegar a três anos de prisão.  “É um absurdo que não haja a descriminalização, até porque nós sabemos em que condições as mulheres recorrem ao aborto", disse a petista, na época.

A petista, por sua vez, disse que Serra defendeu a normatização do aborto quando era ministro da Saúde. A medida se referiu especificamente aos casos já previstos na lei que vigora atualmente - quando a vida da mãe está sob risco ou quando a mãe é vítima de estupro. Serra já se posicionou publicamente contra alterações na lei sobre o aborto em diversas ocasiões.

Minha Casa Minha Vida

Dilma disse que já ouviu Serra falar “muito mal” do Minha Casa, Minha Vida – programa de habitação do governo federal. Na sua resposta, o tucano disse: “Eu nunca falei mal do Minha Casa Minha Vida". Afirmou ter destacado apenas que o número de unidades prometido - de 1 milhão - nunca foi entregue. Seguindo esta mesma linha, Serra chegou a dizer ao jornal Valor Econômico , em abril deste ano, que "o plano da habitação é um estelionato ( eleitoral ) como nunca houve".

Venda da Nossa Caixa

Dilma disse que Serra tentou privatizar a Nossa Caixa, vendida ao Banco do Brasil em novembro de 2008. "Você vendeu e o governo federal comprou para evitar que isso acontecesse", disse ela a Serra. As negociações da transação foram feitas em conjunto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Serra, então governador de São Paulo.

Na época, reportagem do jornal Folha de S. Paulo dava conta de que o governo paulista preferiu vender a Nossa Caixa a um banco estatal porque a venda a instituições privadas demoraria ao menos o dobro do tempo. Serra disse que, na época, ouviu que Dilma era contrária a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Mas a ministra não se pronunciou publicamente contra a compra na época.

Calúnia e difamação

Durante o debate, Dilma também afirmou que Serra responde a um processo na Justiça por crime de calúnia e difamação. Há uma semana, o juiz José Ricardo Coutinho Silva, da 111ª Zona Eleitoral de Porto Alegre (RS), aceitou denúncia feita pelo Ministério Público Eleitoral contra o tucano por crimes de difamação contra o PT e de calúnia contra o então candidato petista ao Senado, Fernando Pimentel.

A denúncia do Ministério Público tem por base uma ação judicial movida por Pimentel - que é amigo e aliado de Dilma -, a partir de uma entrevista à imprensa, na qual Serra afirmou que a legenda era ligada às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico, além de acusar o então candidato de comandar a preparação de um suposto dossiê contra integrantes do PSDB.

Caso Erenice

Após Dilma dizer que o tucano fez uma campanha de ódio, Serra falou que “é uma coisa fenomenal, ela se colocar como vítima" e não dar explicações sobre as denúncias que derrubaram ex-ministra Civil Erenice Guerra. "Seu braço direito organizou um esquema de corrupção", disse Serra no debate. Erenice deixou o cargo em 16 de setembro, após a revista Veja noticiar um suposto esquema de pagamentos de propinas dentro do governo. O pivô da crise era seu filho, Israel Guerra.

Serra também disse que Erenice causou problemas aos Correios e que vai “reestatizar” a empresa. A companhia é estatal, mas o tucano fazia uma referência ao fato de empresas que hoje estão sob comando do governo estarem, segundo ele, a serviço dos "companheiros".

O ex-a ssessor que fugiu com R$ 4 milhões

No debate, Dilma resgatou denúncia envolvendo Paulo Vieira de Souza para atacar o tucano. Disse que "um assessor" de Serra teria fugido "com R$ 4 milhões da campanha". “Você também devia responder sobre a questão do Paulo Vieira de Souza, o seu assessor que sumiu com R$ 4 mi da sua campanha”, acusou a petista.O caso se refere a uma reportagem publicada pela revista IstoÉ.

Souza, conhecido também como "Paulo Preto", é ex-diretor de engenharia da Dersa e teria sido citado por tucanos como autor de um suposto desvio de R$ 4 milhões da campanha de Serra, em dinheiro não contabilizado. O caso até então não havia sido citado durante a campanha.  Pela reportagem, o dinheiro não teria origem declarada e a suspeita teria sido levantada devido à baixa arrecadação de Serra no início da campanha.

Crack

A epidemia da dependência em crack foi abordada no debate dentro do contexto das políticas de Segurança Pública. Dilma utilizou o tema tentando mostrar que as ações de Serra para combater o problema estariam muito aquém da demanda. Segundo a candidata, o tucano faz propaganda de um projeto-piloto de tratamento em São Paulo que conta com apenas 95 leitos, quando o Estado apresenta um contingente de 300 mil viciados na droga.

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