Com afagos para o agronegócios, candidato afirmou que MST usa a reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionária

Sem adversários e absolutamente à vontade, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, aproveitou a sabatina solo na CNA (Confederação Nacional da Agricultura), esta quinta-feira e Brasília e falou o que a maioria presente queria ouvir: críticas ao MST (Movimento Sem Terra), à reforma tributária e à falta de infra estrutura no campo.

Com críticas ao MST, candidato afaga o setor de agronegócios
AE
Com críticas ao MST, candidato afaga o setor de agronegócios
As candidatas Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT) foram convidadas, mas por motivos diferentes não quiseram participar. A petista alegou dificuldades em agenda. No seu site, porém, não há compromisso oficial marcado. Já a senadora verde afirmou não ter recebido as perguntas com antecedência, apesar de ter aceitado o convite inicialmente.

Como havia feito na CNI (Confederação Nacional da Indústria) em maio passado, Serra tentou mesclar um discurso técnico com político. Falou de futebol, brincou e reclamou da mediadora do evento e pediu até para ser chamado de “Zé” por um produtor rural. No entanto, seu principal alvo foi a relação do governo Lula com o MST.

“O MST é um movimento que se diz de reforma agrária quando, na verdade, usa a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionária socialista no Brasil. Sou contra que usem o dinheiro do governo para isso”, disse Serra.

“Ao governo não compete dar dinheiro para os diferentes movimentos de forma disfarçada. É importante a gente mostrar qual é a motivação. Na verdade, não é reforma agrária. É um movimento de natureza que propõe um tipo de transformação no Brasil”, completou.

Serra disse que há grupos de sem terra que desmatam florestas e disse que o governo mantém relação com movimentos sociais para mostra-se próximo da esquerda. “O governo não é de esquerda. Precisa fazer algumas coisas de aparência de esquerda. É o saludo à La bandeira. Na política externa e dando dinheiro para o MST”, disse.

Sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra criticou quem “fala de invasões e depois usa boné dos invasores”. Essa é uma coisa que a gente tem clareza. Não adianta por o boné numa hora e noutra hora tirar o boné e esconder numa gaveta. “Tem que ter muita clareza para atuar”, afirmou o candidato tucano.

Serra sugeriu que Dilma e Lula fazem diferentes discursos dependendo do público e que ele atua com “sinceridade”. “Uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra. Dependendo do público, eu não tenho essa característica. Francamente a gente fica melhor. Os temas que debatemos aqui não vão para o horário eleitoral”, afirmou.

Presente da plateia, o candidato a vice na chapa tucana, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), usou o Twitter para atacar Lula e Dilma. O líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA), e o presidente do PPS, Roberto Freire também marcaram presença. A CNA é presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que chegou a ser cotada como vice.

No fim da sabatina, Serra saiu em defesa do vice Indio da Costa. Criticou um portal de internet que deu destaque para um antigo namoro o deputado com Rafaella Cacciola, filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. “Vão acabar dizendo companheiro de festa de Cacciola. Fulano comeu num restaurante com Cacciola. Em vez de discutir coisas importantes”, afirmou.

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