Em reunião, Renan reivindica espaço do PMDB em governo de Dilma

Senador diz que partido quer 'espaços deste projeto de poder que legitimamente deva ocupar' em eventual administração petista

Andreia Sadi, iG Brasília |

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chamou a atenção em uma reunião do PMDB com líderes partidários e governadores eleitos, ao falar sobre o espaço que o partido deve ocupar em um eventual governo da petista Dilma Rousseff.

Na reunião, onde peemedebistas convocaram o partido a eleger o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para o posto de vice-presidente, Renan comentou que alertou o presidente Lula que Dilma cresceu antes do tempo e que a campanha presidencial petista entrou no "piloto automático". Depois, engatou: "Daí esse tratamento a que o PMDB se submeteu no primeiro turno. Isso não pode continuar. O PMDB está compartilhando esse projeto. O PMDB quer, sim, ocupar todos os espaços deste projeto de poder que legitimamente deva ocupar", disse Renan.

A fala de Renan causou constrangimento na reunião, já que todos os demais discursos tiveram tom mais moderado e não abordaram a questão da ocupação de espaço no governo. Temer, por exemplo, disse que os dois partidos devem chegar juntos ao poder e afirmou que percebeu uma "incorporação integral" dos peemedebistas no segundo turno da campanha. "O PMDB é um só e não pode ser derrotado", afirmou.

A discussão sobre o espaço que o PMDB deve ter em um eventual governo de Dilma já havia colocado Temer em uma saia justa em agosto, cerca de um mês após a largada oficial da campanha. Na época, Temer comentou publicamente a "partilha do pão" no governo. Depois, procurou negar que a intenção fosse falar antecipadamente sobre o rateio de cargos. 

Para o aliado Almeida Lima, a fala de Renan se referiu aos postos que caberão ao PMDB se Dilma se eleger, como a presidência da Câmara e do Senado. " Renan quis dizer que o que é de direito do partido seja ocupado, como estes cargos", afirmou. Já o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, acredita que o discurso mais exaltado do senador tem outro motivo: "Renan pode estar querendo ganhar força para ocupar novamente a presidência do Senado", avaliou.

Renan já ocupou o cargo, mas deixou a presidência em 2007 após denúncias envolvendo o pagamento da pensão de sua filha por um lobista.

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