Senador diz que partido quer 'espaços deste projeto de poder que legitimamente deva ocupar' em eventual administração petista

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chamou a atenção em uma reunião do PMDB com líderes partidários e governadores eleitos, ao falar sobre o espaço que o partido deve ocupar em um eventual governo da petista Dilma Rousseff.

Na reunião, onde peemedebistas convocaram o partido a eleger o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para o posto de vice-presidente, Renan comentou que alertou o presidente Lula que Dilma cresceu antes do tempo e que a campanha presidencial petista entrou no "piloto automático". Depois, engatou: "Daí esse tratamento a que o PMDB se submeteu no primeiro turno. Isso não pode continuar. O PMDB está compartilhando esse projeto. O PMDB quer, sim, ocupar todos os espaços deste projeto de poder que legitimamente deva ocupar", disse Renan.

A fala de Renan causou constrangimento na reunião, já que todos os demais discursos tiveram tom mais moderado e não abordaram a questão da ocupação de espaço no governo. Temer, por exemplo, disse que os dois partidos devem chegar juntos ao poder e afirmou que percebeu uma "incorporação integral" dos peemedebistas no segundo turno da campanha. "O PMDB é um só e não pode ser derrotado", afirmou.

A discussão sobre o espaço que o PMDB deve ter em um eventual governo de Dilma já havia colocado Temer em uma saia justa em agosto, cerca de um mês após a largada oficial da campanha. Na época, Temer comentou publicamente a "partilha do pão" no governo. Depois, procurou negar que a intenção fosse falar antecipadamente sobre o rateio de cargos. 

Para o aliado Almeida Lima, a fala de Renan se referiu aos postos que caberão ao PMDB se Dilma se eleger, como a presidência da Câmara e do Senado. " Renan quis dizer que o que é de direito do partido seja ocupado, como estes cargos", afirmou. Já o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, acredita que o discurso mais exaltado do senador tem outro motivo: "Renan pode estar querendo ganhar força para ocupar novamente a presidência do Senado", avaliou.

Renan já ocupou o cargo, mas deixou a presidência em 2007 após denúncias envolvendo o pagamento da pensão de sua filha por um lobista.

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