Em Porto Alegre, Serra diz que será ¿um gaúcho na Presidência¿

O candidato do PSDB participou de ato do Movimento Suprapartidário Gaúchos com Serra e recebeu apoio de lideranças do PMDB

Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre |

Cercado por líderes do PSDB e jornalistas, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, chegou a uma churrascaria de Porto Alegre com grande atraso, e encontrou a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB) à sua espera. Uma faixa levada até a entrada por militantes com adesivos de Serra no peito foi retirada por um organizador do PSDB, “para não causar polêmica com a imprensa”.

Agência Estado
Serra faz campanha em Porto Alegre
Após o chamado “Alô Índio”, a faixa colocava um coração entre as palavras “PT” e “Farc” e dizia que o ex-governador gaúcho Olívio Dutra (PT) “já recebeu as Farc em Porto Alegre com honras de presidência”.

Já dentro do restaurante, o palco foi tomado por representantes gaúchos de sete partidos: PSDB, PPS, DEM, PSC, PTB e PMDB. Os peemedebistas têm José Fogaça como candidato ao governo do Rio Grande do Sul, concorrendo contra Yeda, além de ser o partido do candidato a vice de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer. Mesmo assim, em seu discurso Serra não definiu apoio a Yeda ou Fogaça, e pediu votos para Ana Amélia Lemos (PP) e Germano Rigotto (PMDB) na disputa gaúcha pelo Senado.

Antes de falar, José Serra ouviu a escritora Lya Luft ler um manifesto de apoio dos “notáveis gaúchos”, redigido pelo jornalista Flávio Tavares. Também ouviu a governadora Yeda Crusius afirmar que “os gaúchos e gaúchas já decidiram por Serra presidente”.

Em seu discurso, José Serra citou dois históricos políticos gaúchos, Leonel Brizola e João Goulart, e disse que o Brasil tem duas dívidas com o Rio Grande do Sul. A primeira, segundo ele, é impagável: “O Brasil tem a força que tem no agronegócio por causa dos gaúchos”, afirmou, antes de cutucar Lula: “Se há algo que está segurando o Brasil é o agronegócio, porque a indústria teve mais de R$ 6 bilhões de déficit”.

Serra disse que a outra dívida deve ser paga logo: “O Rio Grande ficou para trás em matéria de investimentos governamentais. O Rio Grande é o Estado da produção e, na presidência, eu vou ser o homem da produção”, prometeu, antes de dizer-se um “amigo do Rio Grande”, e garantir: “Vocês vão ter, nas batalhas de vocês pelos interesses do Rio Grande, um gaúcho na Presidência”.

O candidato do PSDB criticou ainda o que chamou de “privatização dos Correios, no sentido de que suas diretorias servem a partidos, a grupos”. Disse querer estatizar os órgãos públicos, “torná-los realmente públicos”, e, após reclamar que o Congresso Nacional “está todo com a outra candidata”, pediu que seus apoiadores façam “uma ventania” para conquistar votos.

No encerramento de seu discurso, Serra tentou se manter imparcial em relação à disputa pelo governo gaúcho. Falando sobre Yeda e Fogaça, disse que “um dos dois vai governar o Rio Grande, e vai governar comigo”. A governadora já não estava mais na churrascaria.

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