Em Pernambuco, Serra afaga Lula e centra ataques em Dilma

Candidato tucano ao Planalto procurou mostrar afinidade com presidente, mas associou Dilma a invasões do MST

Nara Alves, enviada a Pernambuco |

Ao abrir a visita que realiza hoje a Pernambuco, o candidato tucano ao Palácio do Planalto, José Serra, aproveitou uma entrevista a uma rádio local para tentar demonstrar afinidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo em que fez críticas à rival petista Dilma Rousseff, ao associá-la a um possível aumento de invasões do Movimento dos Sem-Terra (MST), Serra procurou mostrar-se alinhado a Lula em decisões administrativas. E até relembrou o fato de ter votado no então líder sindical em 1989, na eleição presidencial vencida por Fernando Collor.

AE
Serra concedeu entrevista a rádio de Pernambuco na manhã desta sexta-feira
"Votei em 1989, contra o Collor. Depois, também, nem tinha como ( votar em Lula outra vez ), porque ele foi candidato contra gente do meu partido", afirmou Serra, na entrevista que concedeu ao apresentador de rádio Geraldo Freire. O próprio tucano disputou com Lula a eleição de 2002, da qual saiu derrotado.

O empenho em demonstrar afinidade com Lula ficou claro também diante do tema da distribuição dos royalties do petróleo. Serra afirmou que Dilma foi uma das responsáveis por colocar o assunto na mesa em um ano eleitoral, junto com o ministro de Minas e Energia Edison Lobão.O tucano contou ter manifestado a Lula a preocupação com o momento escolhido para realizar esse debate e emendou: "Ele concordou plenamente".

"Não é época, um ano eleitoral, de esse assunto ser resolvido no Congresso. Primeiro porque não tem pressa nenhuma. Segundo, porque você joga um Estado contra o outro", afirmou Serra, que negou ter declarado taxativamente que não permitirá alterações no sistema de distribuição dos royalties, caso seja eleito. "O que eu disse é que não vou permitir que tirem os recursos, dentro do projeto atual, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro", disse o tucano.

Serra disse ainda que, se eleito, será um "amigo de Pernambuco". E, mais uma vez, mencionou Lula.

"Me considero amigo de Pernambuco, e vou ser um presidente amigo de Pernambuco. Tem o Lula, que nasceu em Pernambuco e viveu em São Paulo. E eu, que nasci em São Paulo e cresci na política aqui em Pernambuco. Vou ser amigo de Pernambuco”, disse o candidato.

Até mesmo ao falar de assuntos que costuma criticar, como a transposição do Rio São Francisco, Serra botou panos quentes na ação do presidente. "Lula, às vezes, acreditou que as coisas estavam andando", disse.

Ataque

Nas menções a Dilma, entretanto, Serra subiu o tom. Voltou a criticar a petista por não participar de boa parte dos debates e afirmou que considera importante discutir temas como MST. "O dirigente máximo do MST disse que vai votar na Dilma porque no governo dela vai dar para aumentar as invasões", provocou. "Então, não seria interessante debater o MST?"

"Ela  não vai ser nomeada pelo Lula e pelo PT. Não existe terceirização em cargo de presidente. Vamos ver quem pode continuar e quem pode corrgiri o que tá errado.

Serra também voltou a criticar o projeto do trem-bala que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Disse ter certeza de que o custo será muito superior a R$ 35 milhões.

Famoso pela fama de notívago, Serra estava bem humorado na entrevista. Comentou, por exemplo, que dorme em média cinco horas por noite e contou até que teve dificuldades para ligar o computador na última madrugada, para cumprir o ritual de postar mensagens no Twitter. "Computador tem dessas coisas, às vezes você liga tudo direitinho e a tela não liga", comentou.

Em meio à expectativa para a estreia de Lula na campanha de Dilma, marcada para ocorrer em um comício hoje à noite, no Rio, Serra rebateu a tese de que estaria disputando a eleição deste ano com o presidente e não com a ex-ministra. Questionado durante a entrevista se há como escapar do embate com Lula, o tucano respondeu: "Acho que já escapou".

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