Em Pernambuco, clássico político entre rivais históricos

Eduardo Campos reencarna a disputa do avô com o peemedebista Jarbas Vasconcelos na eleição para o governo

Ana Carolina Dias e Thaisa Lisboa, iG Pernambuco |

O governador-candidato Eduardo Campos (PSB) e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), principais candidatos ao Governo de Pernambuco, protagonizam este ano um clássico eleitoral. Muitos vêem a possível reeleição do atual chefe do Executivo estadual como uma revanche para a derrota sofrida pelo seu avô, Miguel Arraes, nas eleições de 1998.

Na ocasião, o senador peemedebista foi eleito governador do Estado por uma margem superior a um milhão de votos sobre Arraes (falecido em 2005). O duelo que os 6.259.850 eleitores pernambucanos irão presenciar neste domingo tem como ingrediente especial a rivalidade histórica entre Jarbas e Arraes, que acabou sendo transferida para o neto-governador.

Porém, a relação de Jarbas e Eduardo nem sempre foi de desavenças. Nas eleições de 1985 para a Prefeitura do Recife, o presidente nacional do PSB deu seu primeiro voto, ironicamente, para Jarbas Vasconcelos. Na época, o senador havia saído do PMDB e migrado para o PSB (mesma legenda para a qual Arraes e seu grupo político migraram no início dos anos 90).

Campos participou da gestão de Vasconcelos como oficial de gabinete do então secretário de governo do prefeito, Fernando Correia. Outro fato curioso é que o candidato do PMDB deu seu primeiro voto para Arraes, nas eleições para governador de 1962.

O rompimento veio em 1992. A briga pelo poder entre Jarbas Vasconcelos e o grupo político do ex-governador Miguel Arraes (PSB) levou a ruptura da aliança. No pleito daquele ano, Jarbas disputou o cargo de prefeito da cidade do Recife e teria como vice Eduardo Campos, na época deputado estadual. A escolha, entretanto, não agradou Vasconcelos que não teria concordado com a indicação. Esse então foi o estopim para o fim do relacionamento.

Em 2006, Eduardo Campos conquistou seu primeiro mandato como governador. Na ocasião, disputou o segundo turno com ex-governador Mendonça Filho (DEM), que buscava a reeleição. Atualmente, além de ter sua gestão bem avaliada pelos pernambucanos (o que comprova sua permanente liderança nas pesquisas de opinião), Campos conta com o apoio do presidente Lula, cuja aprovação no Estado atinge cerca de 90%. Carismático, o socialista de 45 anos também tem boa receptividade no interior. Lá, ele tem ao seu lado a maioria esmagadora de prefeitos, inclusive do PMDB, PSDB e DEM, partidos de oposição aliados de Jarbas.

Jarbas, por sua vez, enfrenta sua quarta disputa ao governo. Apesar de negar, há especulações de que o senador entrou na corrida eleitoral pernambucana por pressão do PSDB, a fim de disponibilizar um palanque ao candidato tucano à Presidência da República, José Serra. Após aceitar a empreitada, Jarbas se viu abandonado pelos tucanos e demais aliados. Primeiro, a notícia de que a candidatura para reeleição do senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, não aconteceria. Jarbas, que ficou sem representante tucano na chapa, viu, em seguida, alguns de seus aliados migrarem para o palanque de Eduardo.

No último debate televisionado pela TV Globo, Vasconcelos assumiu estar disputando a eleição mais difícil da sua vida. Visivelmente emocionado, ele comentou que enfrentou situações adversas em outras ocasiões, mas obteve grandes vitórias. Nestas eleições, o peemedebista afirma que dessa vez a desproporção foi gigantesca. Citou ainda que a “opção do governo em esmagar a oposição não é democrática”.

Agência Estado
O atual governador de Pernambuco e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB)
Atualmente, o governador-candidato possui 73% das intenções de voto. Eduardo, segundo pesquisa Datafolha, estaria cerca de 50% à frente do seu principal adversário Jarbas Vasconcelos. Vale lembrar que Campos impõe a maior diferença para o segundo colocado entre todos os postulantes ao governo no País.

Campanha

A corrida para a disputa eleitoral em Pernambuco foi marcada pela oposição incansável do senador Jarbas Vasconcelos. Jarbas acusou Eduardo de oferecer obras em troca de votos nas suas respectivas cidades. “Eu já esperava disputar um pleito muito duro, mas não imaginava que o governador fosse fazer uso da máquina e a cooptação sem limite (...) É um governador que não foi só atrás de prefeito. Foi atrás de cabos eleitorais. Isso é uma prática errada. Pode ter sucesso agora, mas macula a biografia da pessoa”, afirmou o senador, que usou esse discurso durante toda a campanha. Denúncias à parte, o fato é que vários prefeitos, independentemente de partido, apoiaram Eduardo.

A acusação de uso indevido da máquina pública se deu por conta do comício que houve no Marco Zero, com a candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, jarbistas afirmaram ter visto um caminhão com a marca do governo do Estado usado para descarregar materiais de campanha para o evento com a petista. Todavia, a assessoria do governador Eduardo Campos justificou que o caminhão, flagrado em ação de campanha eleitoral, estava adesivado porque fora utilizado numa viagem do socialista ao Agreste, mas que já não pertenceria mais à administração estadual.

Outro argumento utilizado pelo senador para fazer críticas ao governador era de que se Pernambuco estava bem, era porque ele (Jarbas) teria entregado o Estado em boas condições. Frequentemente o peemedebista repetia o discurso de que encontrou um estado quebrado, alegando ter sido o responsável por plantar a base do governo atual. A questão da paternidade das grandes obras como a Petroquímica de Suape, o Estaleiro Atlântico Sul e a Refinaria Abreu e Lima também foi motivo de discussão.
Coligação

A Frente Popular de Pernambuco (PSB, PDT, PT, PTB, PCdoB, PR, PSC, PP, PR, PSDC, PSL, PRP, PHS, PTdoB, PTN, PTC e PRTB), encabeçada pelo governador-candidato Eduardo Campos (PSB) foi consolidada sem atropelos em 2009. Muitas foram as especulações de que Eduardo escolheria outra pessoa para ocupar a vaga do atual vice, João Lyra Neto, o que acabou não acontecendo. Para completar a chapa da majoritária, o governador tinha o deputado federal Armado Monteiro Neto (PTB) como um dos candidatos ao Senado.

Mas, ainda restava uma vaga. A escolha pelo nome do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT) veio após sua absolvição no caso da Máfia dos Vampiros (esquema de fraudes na área da saúde). O ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT) também chegou a ser cogitado, mas o partido optou pelo nome Costa.

Já a coligação Pernambuco Pode Mais (PMDB/DEM/PSDB/PPS), do senador Jarbas Vasconcelos foi formada às pressas. O único nome certo para disputar as eleições deste ano do lado oposicionista era o do senador e candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM).

Jarbas só declarou oficialmente sua candidatura em meados de junho, quando também apresentou sua vice, Miriam Lacerda (DEM). Faltava o segundo candidato ao Senado. O nome mais esperado era do senador Sérgio Guerra (PSDB), no entanto, Vasconcelos e Guerra desentenderam-se e o deputado federal pelo PPS, Raul Jungmann, foi o escolhido para disputar a vaga.

Curiosidade
No pleito deste ano, outro fato curioso liga os arquiinimigos políticos Jarbas e Eduardo: ambos os vices são representantes de Caruaru (Agreste). João Lyra Neto é natural do Recife, mas sua família está radicada na capital do forró há várias décadas. Atuou como deputado estadual (1995/1998) e como prefeito de Caruaru por duas vezes (1989/1992 e 19972/2000).

Já Miriam, elegeu-se, em 2006, com 67.830 votos. Números que a consagraram como a deputada estadual mais votada na história de Pernambuco. Até então, Miriam só tinha atuado na política com projetos sociais na gestão do seu marido, o ex-prefeito de Caruaru Tony Gel (DEM). Ela também foi secretaria de Governo e só deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa.

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