Em NY, investidores veem poucas diferenças em Marina

Para diretor da BlackRock, mercado está tranquilo porque "alicerces do Plano Real vão continuar", seja com Marina, Serra ou Dilma

BBC Brasil |

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As propostas econômicas da candidata do Partido Verde (PV) à Presidência, Marina Silva, expostas nesta quinta-feira em um evento organizado pela BM&F Bovespa em Nova York, não surpreenderam os investidores presentes. No geral, eles não viram diferenças entre a visão de mercado da candidata e de seus concorrentes Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Os investidores ouvidos pela BBC Brasil já esperavam que a candidata propusesse a manutenção das políticas macroeconômicas implementadas pelo Plano Real e a independência do Banco Central. Marina confirmou as expectativas dizendo que seu eventual governo se compromete com "três alicerces macroeconômicos: o sistema de metas de inflação, a responsabilidade fiscal e o regime de câmbio flutuante".

William Landers, diretor-gerente da gestora de ativos BlackRock, que administra cerca de US$ 3 trilhões em recursos em todo o mundo, por exemplo, disse que dar continuidade "ao que tem funcionado na parte econômica é muito importante, porque o mercado, nessa parte de políticas econômicas, não quer ver muitas mudanças". Landers é responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados à América Latina que reúnem cerca de US$ 9 bilhões.

"Claramente, o foco dela é na parte ambiental, que é importante, mas não sei se é possível ter uma plataforma completa de governo baseada em meio ambiente", disse. "O meio ambiente está sendo discutido muito por aqui, especialmente com todos os investimentos que vão ter que ser feitos com a Copa do Mundo (de 2014) e os Jogos Olímpicos (de 2016), mas acho que, no final das contas, a parte econômica (da apresentação de Marina) ficou dentro do esperado."

Diferença

Landers acredita que "é difícil ficar diferenciando os candidatos, porque (o discurso) é tudo muito igual". Ele diz que a eleição presidencial não deve mudar a direção do mercado brasileiro. "O mercado está tranquilo porque os alicerces do Plano Real vão continuar, seja na administração de José Serra, de Dilma Rousseff ou de Marina Silva. Isso dá tranquilidade para não se preocupar com as eleições, e isso é o que é importante para o mercado hoje em dia."

Segundo Glenn Toth, diretor-gerente da Place Capital Advisors, "as preocupações da candidata são pertinentes com programas de investimentos em infraestrutura e capital humano", mas, "para impressionar, ela precisaria entrar em mais detalhe na parte financeira". Ana Soriano, diretora da Barclays Capital, disse que faltou "saber quais são os planos (de Marina) para verdadeiramente abrir o mercado brasileiro e atrair mais investimentos e talento humano do exterior".

Os investidores aplaudiram apenas uma vez durante a apresentação da candidata, após Marina ter declarado que não haverá perdão em seu governo para empresas que infringiram leis florestais no passado. "A ministra tem um papel importante na política brasileira, protegendo o meio ambiente", disse Landers.

Oportunidades

William Rhodes, conselheiro-sênior do Citibank, concorda que o novo presidente deve continuar as políticas macroeconômicas. "Nada é perfeito, mas, no geral, essas políticas macroeconômicas têm sido adequadas", diz. "Uma das coisas que o Brasil começou a fazer e que é correto é começar a diminuir os programas de estímulo, e isso é necessário porque muito dinheiro foi direcionado a esses programas. Se o governo não começar a desacelerar um pouco, vamos acabar com uma situação semelhante ao sul da Europa", diz.

"Se ele (o governo) superaquecer a economia, vai voltar a inflação. Se há um país que conhece e respeita a inflação é o Brasil." Rhodes disse ainda que o Brasil foi "presenteado" com oportunidades excelentes, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "O relógio está correndo e há muito a fazer."

Outros assuntos abordados por Rhodes durante o evento foram a necessidade de investimento em capital humano, de reforma fiscal e administrativa, de proteção ao meio ambiente, de redução da burocracia e do custo de fazer negócios no país. "O Brasil foi reconhecido de tantas maneiras. Ele é membro do comitê da Basileia, do G20, foi escolhido como anfitrião para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos. As pessoas estão olhando para o Brasil mais do que o fizeram no passado, e isso faz com que os brasileiros também olhem para si mesmos. Quando isso acontece, não há limites para a grandeza e o potencial do país", disse.

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