Em novo plano, Marina Silva foca na redução dos gastos públicos

Candidata do PV à Presidência da República apresentou hoje em São Paulo segunda versão das suas diretrizes de governo

Rodrigo Rodrigues e Ana Paula Prado, IG São Paulo |

Com críticas aos gastos do Estado e foco na Segurança Pública, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, lançou nesta terça-feira (27) uma versão atualizada das diretrizes do seu programa de governo. Apesar de não conter propostas claras de projetos, o documento critica o desperdício da máquina pública e propõe a redução dos gastos correntes do País, que são as despesas com a administração do Estado, como pagamento de funcionários, conservação de bens, etc.

Agência Estado
Guilherme Leal (e) e a senadora Marina Silva (d) durante apresentação da versão ampliada das Diretrizes para

O plano do Partido Verde estabelece uma meta de redução dos gastos correntes em apenas metade do crescimento de 7% projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. "A gente não acha que o número seja adequado, mas avaliamos que seria demagógico diminuir os gastos públicos neste momento do país. Nosso compromisso é evitar o fisiologismo e o loteamento da máquina pública, que induzem aos gastos do Estado", disse Guilherme Leal, vice na chapa de Marina.

As novas diretrizes do programa de governo contaram com a ajuda de 92 colaboradores e 980 sugestões feitas por meio da internet. O documento propõe principalmente mudanças nas áreas de educação, segurança pública, turismo e saúde.

Segundo o coordenador geral da campanha de Marina, João Capobianco, o documento apenas orientará as ações do futuro governo do Partido Verde. Ele reconheceu que a proposta está longe de ser um plano completo de governo. "Foi uma opção nossa apontar diretrizes, já que um programa de governo é feito durante o processo eleitoral e considera o orçamento do ano corrente. Essas diretrizes permitem uma visão clara do que será o governo Marina", disse Capobianco. De acordo com ele, a proposta final de plano de governo, com metas e planos de ação, só será possível em meados de setembro.

Plano deficiente

Apesar da crítica aos gastos públicos, o programa apresentado pelo PV nesta terça-feira não estabelece o alvo dos cortes que determinarão a redução dos gastos com a máquina pública. A própria candidata do partido, Marina Silva, reconheceu a deficiência do documento apresentado em São Paulo e admitiu que não é impossível fazer um plano detalhado nessa etapa da campanha: “Infelizmente existe um vácuo na legislação eleitoral que proíbe os candidatos de assumirem suas pré-candidaturas. Isso impossibilita que a gente inicie a disputa com um plano detalhado de governo”, disse a candidata.

Mesmo apresentando propostas vagas, alguns itens apresentadas no documento de 38 páginas já conseguem ser mais objetivas no que diz respeito à sua realização. No quesito “Saúde”, Marina Silva é taxativa em defender a implantação imediata do aumento do aporte federal para o SUS – Sistema Único de Saúde - através da regulamentação da Emenda Constitucional 29/2000.

Outro ponto detalhado em seu projeto refere-se aos recursos para a promoção do programa “Internet para Todos”, que visa a aumentar a quantidade de domicílios com acesso à banda larga. Através da desoneração fiscal de impostos como Fust, PIS, Cofins e IPI, que correspondem a 42 % das tarifas de telecomunicações, Marina Silva intenciona aumentar o patamar dos 21% de domicílios atingidos atualmente no país, que correspondem a 35% da população total.

Usineiros

Após a apresentação do plano de governo em São Paulo, a candidata do PV se reuniu com o conselho administrativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa 60% dos produtores de cana do País. Acompanhada do vice Guilherme Leal e outros candidatos do PV, a candidata discutiu questões como etanol, energias renováveis e Código Florestal com os usineiros.

Segundo Marina, a conversa foi amigável, mas não houve consenso entre eles sobre a nova proposta do Código Florestal, que tramita no Congresso Nacional. O setor canavieiro defende a recomposição de mata original em 20% das áreas cultivadas em outras regiões que não sejam as próprias áreas devastadas. Já a candidata do PV argumenta, desde os tempos de Ministério do Meio Ambiente, que essas áreas sejam reflorestadas na propriedade onde a devastação aconteceu. “É um debate que se dará no Congresso, mas o importante nesse processo é que o setor sabe da importância da discussão para a sociedade”, minimizou a candidata verde.

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