Em encontro com empresários, Mercadante condena ação do MST

Senador defende diálogo, mas pede "peso da lei" contra ações ilegais; criticou ainda modelo venezuelano de exploração de petróleo

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Diante de uma plateia formada por empresários em um hotel de luxo de São Paulo, o candidato ao governo paulista Aloizio Mercadante (PT) condenou, nesta terça-feira, atos recentes promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fez elogios ao agronegócio e defendeu que conflitos relacionados ao campo devam ser resolvidos com a “mão pesada da lei”.

O senador citou a destruição de um laranjal promovida por sem-terra em uma área invadida no interior paulista, em outubro do ano passado, e classificou a ação como “inaceitável”. Os invasores, lembrou, foram processados após o ato.

O candidato frisou que o movimento é resultado de recessões econômicas e da falta de oportunidades. Afirmou que durante o governo Lula, com mais emprego e renda, houve uma diminuição da base social do MST, e também dos conflitos agrários, em razão do alcance de programas federais como o Bolsa Família, o apoio à agricultura familiar e melhorias nas condições dos assentamentos.

Ele disse ainda que a agenda do movimento sindical também mudou durante o governo Lula. Segundo o senador, hoje greves de trabalhadores não são tão comuns como eram no passado recente. “Hoje o trabalhador discute a sua participação nos lucros da empresa”.

Embora tenha defendido a punição para qualquer ação que desrespeite o Estado democrático de Direito, Mercadante disse ser necessário manter o diálogo e a negociação com o movimento, que possui afinidades históricas com o PT, para solução de conflitos.

Há menos de uma semana, em entrevista à agência Reuters, o líder do MST, João Pedro Stédile, disse que haverá aumento de ocupações de terra se Dilma Rousseff (PT) vencer as eleições, mas que haverá um crescimento da violência no campo caso José Serra (PSDB) seja o escolhido. "Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves", argumentou Stédile.

O discurso de Mercadante foi feito no mesmo dia em que a candidata do PT à Presidência da República defendeu a necessidade da reforma agrária em evento no qual recebeu apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). "Não tratamos os movimentos sociais na base de bordoada ou fingindo que os escutamos. Tratamos movimentos sociais com respeito", disse Dilma no evento.

Desde o início da campanha, o candidato ao governo paulista tem dito que os empresários estão mais dispostos neste ano a colaborar com a campanha petista porque o setor reconhece o avanço econômico promovido durante o governo Lula. Citou, por exemplo, o apoio do governo federal ao agronegócio, que chamou de "decisivo" para o desenvolvimento econômico, e lembrou que houve aumento de financiamento público ao setor.

Aos empresários, entre eles representantes de grupos como Tejofran, Banco Banif e Camargo Correa, que se reuniram em almoço promovido pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, o senador disse que em 2002 havia “inquietação” diante de possíveis mudanças na economia durante a administração petista e que, hoje, o presidente Lula é aprovado por 85% da população. Segundo ele, o PT amadureceu nos últimos anos e está pronto para dar continuidade às ações do presidente Lula. “Quando ele começar a se despedir vai haver uma comoção popular. Vamos sentir um certo vazio”, disse.

Venezuela x Noruega

Em boa parte do encontro desta terça-feira, o senador abordou os desafios da produção de petróleo no pré-sal e disse que o Brasil não pode repetir o modelo venezuelano de exploração de óleo.

“Não podemos repetir a Venezuela, que saiu gastando os recursos do petróleo e criou um Estado parasitário. Temos que olhar a Noruega e ver como souberam fazer”, disse o senador, para quem o País deve se preparar para uma era pós-petróleo, já que os recursos não são renováveis. Mercadante defendeu que as riquezas da exploração do óleo deem origem a um fundo soberano que, a longo prazo, financie programas para educação e tecnologia.

Segundo o senador, São Paulo está perdendo indústrias para Estados vizinhos e precisa ganhar em competitividade, com a ampliação, por exemplo, das Zonas de Processamento de Exportação e redução do ICMS para produtos como medicamentos. Disse ainda que, com os recursos provenientes da exploração do pré-sal, haverá margem para redução de tributos.

Ele chamou a atenção dos empresários paulistas para as oportunidades que estão sendo criadas no setor petrolífero, já que as principais reservas estão no Estado. Mercadante aproveitou para elogiar a decisão do presidente Lula de deixar para depois das eleições a decisão sobre o modelo de partilha dos royalties provenientes da exploração do petróleo. Ele defende que os Estados impactados recebam mais contrapartidas pela atividade, mas que não pode haver equilíbrio na distribuição dos recursos. 

Entre os projetos para o governo paulista apresentados à plateia, o petista defendeu a criação de um conselho de desenvolvimento econômico para promover o desenvolvimento da economia no interior do Estado. Mercadante, que tem criticado diariamente a situação dos pedágios e o que chama de abandono das ferrovias no Estado, colocou como meta a construção, em quatro anos, de cerca de 30 quilômetros de linha do metrô paulista – que passaria a contar com 100 quilômetros no total.

Colocou ainda como prioridade a duplicação da rodovia dos Tamoios, que liga São José dos Campos (SP) ao litoral norte, a construção do ferroanel trecho Sul e a expansão do porto de São Sebastião (SP).

    Leia tudo sobre: mercadantemstempresárioseleições 2010

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG