Em debate sem Dilma, Serra promete 13º no Bolsa Família

Em evento do SBT em Recife, Plínio saiu em defesa da extinção do programa e Marina comprometeu-se com continuidade

Nara Alves, enviada a Pernambuco |

Em debate promovido pelo SBT para discutir propostas para o Nordeste, o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra , aproveitou a ausência da rival petista Dilma Rousseff para prometer a inclusão de um 13º salário para os beneficiários do Bolsa Família. De olho na parcela do eleitorado que recebe o benefício, principal bandeira do PT na área social, Serra também se juntou ao candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, para criticar a decisão da petista de não participar do encontro.

A nova promessa de Serra de criar um 13º pagamento do Bolsa Família antecipa o discurso que deverá guiar os próximos programas do tucano no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. A expectativa é de que o assunto apareça já nos filmes que serão veiculados nesta terça-feira pela equipe de comunicação do ex-governador de São Paulo.

No debate, Serra também reivindicou a autoria do Bolsa Alimentação quando ministro da Saúde durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. "O Lula embarcou naquele Fome Zero, que não deu certo. É mentira que em algum momento alguém tenha se oposto à Bolsa Família no meu partido (...) Vou criar o 13º Bolsa Família", afirmou.

Na saída do debate, Serra preferiu não dar detalhes sobre a proposta. Disse apenas que considera a abordagem "natural, porque o trabalhador tem direito a um 13º". Serra aproveitou a ocasião para exaltar promessas como o salário mínimo de R$ 600 e a concessão de um reajuste de 10% a aposentados.

Enquanto Serra procurava vincular o discurso ao Bolsa Família, Plínio destacou-se por sair em defesa da extinção do projeto. Ele classificou o programa como um mecanismo de "corrupção sistemática". "O Bolsa Família é corrupção sistemática. Bolsa Família só existe porque não tem emprego nem salário", disse. Já a candidata do PV, Marina Silva , preferiu seguir a linha de Serra e comprometeu-se a dar continuidade ao programa.

Ao final do debate, Marina Silva e Plínio repercutiram a proposta de criação do 13º Bolsa Família.

"A posição anterior está sendo mudada. Ele (Serra) não concorda mais com seus colegas de partido que por tanto tempo fizeram a crítica (...) pelo volume de críticas que eram feitas antes e a mudança repentina, eu não sei se é digno de credibilidade", disse Marina. A candidata do PV afirmou que manteria o programa caso eleita, mas ponderou que "o Bolsa Família não é para ser eternizado". Ela defendeu que o benefício seja dado apenas para aqueles que estejam passando fome para que eles tenham "uma renda de dignidade".

Plínio ironizou a proposta de Serra. "É melhorismo. Depois outro propõe 'eu vou dar o 14º, a Marina Silva, o 15º (salários), com responsabilidade'. Ora, isso é conversa", disse. Para ele, o programa é "uma vergonha para o povo brasileiro" e deveria ser uma forma emergencial de auxílio a famílias que "estão passando fome".

Sudene

A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) foi alvo de diversas críticas de Marina e Serra. Ambos afirmaram que a Sudene foi abandonada no governo Lula e que precisa de uma restruturação. Serra afirmou que irá cuidar pessoalmente da autarquia para que ela volte a funcionar como foi idealizada por Celso Furtado.

Após o debate, Serra explicou como pretende restruturar a Sudene. Para ele, é preciso dividir a autarquia em duas entidades, uma secretaria nacional voltada para o semiárido e uma agência de desenvolvimento "nos moldes do BNDES, com participações em empresas" para gerar investimento privado que crie novos empregos. "Grande parte dos grandes investimentos dos quais tanto se fala aqui na verdade não caminharam. Caminharam este ano por causa de eleição", afirmou.

O tucano citou a indústria naval como exemplo para a falta de investimento. "Há certas coisas que precisam sair da espuma", disse. Para isso, Serra pretende presidir a Sudene, se eleito, ao longo dos primeiros meses de governo. "A Sudene é um órgão teoricamente de planejamento e orientação dos investimentos. Vamos levar a Sudene para a Presidência", disse.

Segundo Serra, no Nordeste não falta água. "O que há é uma má gestão dos recursos hídricos", disse. Os índices pluviométricos da região mostram uma "disponibilidade satisfatória", de acordo com ele, com 70 mil açudes públicos e privados. "É uma quantidade de água fantástica. Então, é um grande problema de gestão", disse.

Nacional

Apesar de o debate ter sido organizado com a proposta de discutir temas regionais, os três candidatos aproveitaram para tratar também de temas nacionais. Apareceram nas discussões, além de propostas na área social, sugestões de política econômica.

Ao mesmo tempo em que subiram o tom contra Dilma, Serra e Plínio também atacaram o governo Lula. "Dilma não tem coragem de vir porque não pode responder o que está acontecendo lá ( no governo )", afirmou Plínio.

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