Em debate, Dilma e Serra tentam desviar de escândalos

Assuntos como as suspeitas envolvendo Paulo Preto e o caso Erenice Guerra só apareceram em perguntas de jornalistas

Nara Alves e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em mais um debate na televisão neste segundo turno da eleição presidencial, os candidatos ao Palácio do Planalto Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) tentaram deixar de lado as polêmicas e escândalos de corrupção. Embora tenham mantido o tom duro ao longo do confronto, realizado pela Rede TV na noite deste domingo, ambos preferiram falar sobre temas como privatizações, transportes e combate às drogas.

Denúncias que pautaram a campanha deste ano só apareceram no terceiro bloco, trazidas pelos jornalistas dos veículos organizadores do evento. A jornalista Renata Lo Prete questionou Serra sobre o fato de ter dito não conhecer Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, suspeito de ter fugido com R$ 4 milhões em recursos da campanha tucana. "Eu sou vítima disso", disse Serra, negando que tenha dito não conhecer o ex-diretor da Dersa. "Me perguntaram se eu conhecia um Paulo Preto e eu disse que não, pois o conheço como Paulo Souza", emendou.

A jornalista Patricia Zorzan encarregou-se de trazer ao debate o caso da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que foi braço direito de Dilma e deixou o cargo em meio a denúncias de um suposto esquema de lobby envolvendo seu filho. "Eu vejo a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e amigos", respondeu Dilma.

Durante o resto do debate, a petista e o tucano subiram o tom do confronto em mais de uma ocasião. Ainda assim, mantiveram a estratégia traçada por suas equipes de comunicação e concentraram-se em questões programáticas.

A discussão sobre a Petrobras predominou também boa parte do segundo bloco. Nesse caso, Serra voltou a investir na versão de que seu desempenho nas pesquisas provocou uma valorização das ações da Petrobras.

Serra desviou o tema para o combate às drogas. Dilma devolveu: "No Estado de São Paulo tem 300 mil viciados em drogas e ele disse em outro debate que eles têm 300 vagas. Se for demorar três meses para tratar, vai levar um século para o candidato Serra tratar os drogados de São Paulo."

Preparação

Os dois candidatos passaram os últimos dias empenhados na preparação do debate. Dilma reuniu-se na noite de sexta-feira com a coordenação da campanha em um hotel na capital paulista, para definir as linhas gerais de sua atuação no evento. Na manhã deste domingo, ela interrompeu os preparativos para uma rápida visita ao Museu da Língua Portuguesa e voltou a dizer que foi apenas "assertiva" no último embate.

"Acho interessante, sabe, sempre que uma mulher age e responde no mesmo nível que um homem ela é agressiva. Eu sou capaz de responder de forma bastante assertiva", disse Dilma. Nesta semana, Serra também comentou os preparativos para o debate. Disse que vai manter o "tom de sempre". Caso a petista intensifique as críticas, o tucano afirmou que vai apenas se "defender das inverdades e falsidades".

Primeiro bloco

Os dois presidenciáveis abriram o debate em tom mais leve. Após as exposições iniciais, Serra aproveitou para questionar Dilma sobre treinamento profissional com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Dilma disse que esse tipo de capacitação foi prioridade no governo Lula, com destaque para escolas técnicas. Na réplica e tréplica, entretanto, os dois candidatos acabaram subindo o tom. Serra criticou a administração federal, comparando o crescimento do ensino técnico em São Paulo ao avanço do setor na esfera federal.

Dilma trouxe à tona o tema da privatização ao falar sobre a tentativa aquisição da Gás Brasiliana pela Petrobras. Serra desviou da pergunta e afirmou que falaria sobre o tema em sua próxima oportunidade de se manifestar.

"O candidato está fugindo de responder a uma questão da privatização", disse Dilma. Serra acabou desviando o tema para o loteamento de agências reguladoras. "Isso não foi coisa do governo de São Paulo", disse. "A campanha da candidata na televisão mente o tempo inteiro sobre minhas posições em relação à Petrobras", respondeu Serra. "Querem explorar eleitoralmente. Pela eleição, mentem o tempo todo."

Segundo bloco

Enquanto Dilma tentou insistir no tema da Gas Brasiliana, Serra reforçou as declarações sobre a Petrobras e voltou a dizer que a petista explora eleitoralmente o assunto das privatizações. Lembrando que a própria Dilma elogiou as privatizações no setor de telecomunicações, Serra disse que estatais brasileiras como Os Correios são alvo do loteamento e servem aos interesses do PT.

Dilma, que voltou a criticar o tratamento dado à Petrobras pelo governo Fernando Henrique Cardoso, insistiu. "O governo de São Paulo não é dono da Gas Brasiliana mas pode impedir a compra da Gas Brasiliana pela Petrobras", disse Dilma. Serra voltou a dizer que as ações da Petrobras subiram em função do seu desempenho nas pesquisas de opinião. "O preço das ações que vinha caindo se recuperou parcialmente", disse Serra, repetindo a tese apresentada no horário eleitoral gratuito.

Serra questionou Dilma sobre drogas e a petista aproveitou para criticar: "No Estado de São Paulo tem 300 mil viciados em drogas e ele disse em outro debate que eles têm 300 vagas. Se for demorar três meses para tratar, vai levar um século para o candidato Serra tratar os drogados de São Paulo". Serra reagiu dizendo que as drogas entram no Brasil pela Bolívia, como resultado de uma política ruim do governo federal para o controle de fronteiras.

"Nós estamos começando um trabalho importante de atendimento a dependentes químicos que o atual governo é contra", disse Serra. O tucano e a petista bateram de frente ainda em questões como custos de transportes e obras de infraestrutura. Dilma chegou a questionar a familiaridade de Serra com o tema de infraestrutura. "O senhor não sabe porque não tem tanta familiaridade sobre o tema", provocou Dilma. Serra rebateu:  "O melhor seria ela fazer quando teve responsabilidade fazer as coisas acontecerem", afirmou, criticando a política do governo para a construção de estradas.

Terceiro bloco

Coube à jornalista Renata Lo Prete trazer ao debate as denúncias que eclodiram nos últimos dias. Ela questionou Serra sobre Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. "Eu sou vítima disso", disse Serra, negando que tenha dito não conhecer o ex-diretor da Dersa. "Me perguntaram se eu conhecia um Paulo Preto e eu disse que não, pois o conheço como Paulo Souza", emendou. A jornalista Patricia Zorzan encarregou-se de trazer ao debate o caso da ex-ministra Erenice Guerra. "Eu vejo a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e amigos", disse Dilma. 

Quarto bloco

Serra voltou ao discurso programático e questionou Dilma sobre saúde e segurança. A petista, por sua vez, investiu em críticas à política de segurança do Estado, relembrando a força do Primeiro Comando da Capital (PCC). A petista também prometeu reforçar a política de saúde do governo federal, com destaque para programas como Rede Cegonha. 

Dilma e Serra se confrontaram também na área de educação. "Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem", disse Dilma. "Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni." Serra devolveu: "Eu não vou acabar com o Enem. Que histnória é esta? Vocês acabaram com o Enem." Serra criticou Dilma por tentar fazer a comparação com o governo paulista. "Vocês perderam a eleição", disse, em referência à derrota do PT no Estado.

Serra compara apoios. Diz que tem sua candidatura endossada por nomes como Itamar Franco (PPS-MG) e Fernando Henrique Cardoso, enquanto a petista tem apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL).

Quinto bloco

Dilma abriu suas considerações finais retomando o slogan usado na eleição que conduziu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. "Assim como a esperança venceu o medo, a esperança e o amor vão vencer o ódio", afirmou Dilma, retomando o discurso sobre educação e saúde. Dilma disse ainda que está "preparada" para ser presidente. "Tenho de honrar todas as mulheres que vou representar", disse.

Serra agradeceu aos organizadores e à rival. Disse ainda ter orgulho de se apresentar na disputa e reforçou o discurso de que nasceu em uma família pobre. "Sempre fui um servidor público", disse o tucano, alegando que quem está no poder tem que "servir ao público e não se servir dele".

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