Em crise por dossiê, PT tenta fechar palanque em MG

Planalto e campanha querem dar cabeça de chapa a Hélio Costa; resistente, PT mineiro diz que insistirá em Pimentel

Clarissa Oliveira, iG São Paulo, e Andréia Sadi, iG Brasília |

Ao mesmo tempo em que tenta conter os efeitos da crise sobre o suposto esquema de produção de dossiês para a eleição deste ano, o PT volta-se hoje para a solução de um dos principais imbróglios na montagem de palanques para a pré-candidatura presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff. Se for confirmado o plano traçado pelo Palácio do Planalto e pela direção da campanha petista, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel deve ceder ao ex-ministro das Comunicações Hélio Costa a cabeça de chapa na corrida pelo governo de Minas Gerais e se lançar candidato a uma das vagas para o Senado.

O acerto já existe há algum tempo, mas precisa ser sacramentado pelas direções estaduais das duas legendas, que discutem o assunto hoje em Belo Horizonte. Amanhã, a chapa será formalizada em encontro dos comandos nacionais do PT e do PMDB, marcado para as 10 horas, em Brasília. Na ocasião, estarão presentes, além de Costa e Pimentel, os presidentes do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e do PT, José Eduardo Dutra.

Na ala do PT que defende o lançamento de Costa, prevalece a avaliação de que as recentes denúncias envolvendo o suposto dossiê contra o pré-candidato à Presidência José Serra (PSDB) ajudarão a acalmar o discurso da direção regional petista, que insiste na tese da candidatura própria em Minas.

Ontem, reportagens da revista Veja  e do jornal O Estado de S. Paulo  citaram Pimentel entre os envolvidos na suposta montagem de um esquema de espionagem na campanha do PT, que teria entre outros objetivos produzir material contra o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto, José Serra.  Em entrevista ao iG , Pimentel negou envolvimento no caso .

Em meio à repercussão do episódio, o ex-prefeito diz não temer qualquer impacto na definição da candidatura em Minas Gerais. “Este caso não tem nenhuma relação com a situação em Minas e não há risco de haver algum prejuízo”, disse Pimentel. “Nossas direções regionais vão se reunir e tirar uma composição para a eleição estadual, seja comigo na cabeça de chapa ou com o Hélio Costa”, emendou.

À frente do time petista que diz resistir à indicação de Costa, o presidente do diretório mineiro do PT, deputado Reginaldo Lopes, difundia no início desta tarde a versão de que o comando regional do partido já havia se reunido hoje com siglas aliadas e batido o martelo em uma proposta para a chapa.

"Nossa proposta é ter Fernando Pimentel na cabeça de chapa e Hélio Costa como o único candidato da coligação ao Senado", afirmou Lopes, apontando o presidente licenciado da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, para o posto de vice.

Enquanto isso, o presidente do PMDB mineiro, deputado Antonio Andrade, avisava em tom otimista que a reunião com o PT para tratar do assunto continuava agendada para as 16 horas, horário definido "há várias semanas".

* Colaborou Bernardino Furtado, iG Belo Horizonte

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