Em carta, Dilma se compromete a não mexer na lei do aborto

Petista, que já havia pedido publicamente a descriminalização, divulgou carta em que se queixa de 'campanha de calúnias'

Andréia Sadi, iG Brasília |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, assinou uma carta divulgada nesta sexta-feira em que se compromete, se eleita, não alterar a legislação do aborto e “de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País”. No documento, distribuído pelo gabinete do bispo Rodovalho, a petista se queixa do que descreve como "campanha de calúnias" e procura abafar as discussões que tomaram conta da disputa presidencial no segundo turno.

"É com convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários", afirmou Dilma, na carta. No trecho em que trata especificamente do aborto, Dilma contrariou declarações feitas no passado, quando defendeu abertamente a descriminalização do aborto.

"Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto", escreveu a petista.

Na campanha petista, a avaliação é que os boatos envolvendo temas polêmicos como contribuiu para impedir que Dilma ganhasse a eleição no primeiro turno. Outra promessa de Dilma é rever o Plano Nacional de Direitos Humanos, “uma ampla carta de intenções”. “Não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família”, afirma a petista. Na carta, Dilma escreve ainda que, “se Deus quiser”, se tornará presidente da República.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, que também coordena a campanha de Dilma, foi procurado pela reportagem, mas não retornou os contatos para comentar o texto.

A divulgação da carta ocorreu no mesmo dia em que a campanha do presidenciável tucano José Serra distribuiu durante um evento em São Paulo um santinho reforçando o discurso religioso. Logo antes de o candidato participar de um encontro com professores na capital, assessores repassavam o panfleto contendo a mensagem “Jesus é a verdade e a justiça”. O material já circulava em eventos da campanha desde o começo da semana.

iG Brasília
Carta foi divulgada nesta sexta-feira

Leia a íntegra da carta de Dilma:

Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que

sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar

ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi

pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus

adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em

busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa,

assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação

atual sobre o assunto;

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de

pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família

e à livre expressão de qualquer religião no País.

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa

anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa

que afronte a família;

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente,

será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade

de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais

existentes no Brasil;

6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País,

pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco

principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros

que resgatam a cidadania e a dignidade humana.

Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha

de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se

converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos

de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é

pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela

convivência entre todas as pessoas.

Dilma Rousseff


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