Em Aparecida, grupo prega contra candidatos a favor do aborto

A menos de 20 dias do segundo turno, celebração da padroeira se mistura ao debate político

Nara Alves, enviada a Aparecida (SP) |

Os fiéis que chegam ao Santuário Nacional de Aparecida (SP), muitos deles após longa romaria, alguns de joelhos, recebem um folheto atribuído à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que orienta o eleitor a não votar em candidatos favoráveis à descriminalização do aborto, uma referência indireta à presidenciável petista, Dilma Rousseff, que esteve ontem na cidade. Nesta terça-feira, quando comemora-se o Dia de Nossa Senhora Aparecida em todo Brasil, o presidenciável tucano, José Serra, acompanhará a missa solene no Santuário Nacional.

Sem citar diretamente qualquer presidenciável, o folheto cita o artigo 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana. "Nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto", diz o documento. O texto é assinado por Dom Nelson Westrupp, Dom Benedito Beni dos Santos e Dom Airton José dos Santos, todos da Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1, ligado à CNBB.

No último dia 6 de outubro, a CNBB condenou o uso eleitoral da fé critã. Em nota, a Igreja afirma que grupos religiosos dentro da instituição têm "criado dificuldades para o voto livre e consciente". Segundo a entidade, esses grupos usam o nome da CNBB para induzir erroneamente os fiéis a acreditarem que a Igreja Católica impõe veto a qualquer candidato à Presidência. Segundo a nota, a Regional Sul 1 "constrange nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão".

Centro da polêmica que guia o segundo turno da eleição presidencial, a discussão sobre o aborto já esbarrou no passado tanto na petista Dilma Rousseff (PT) quanto no tucano José Serra (PSDB). Embora os dois lados tenham reforçado nos últimos dias o discurso religioso e as manifestações contrárias à legalização do procedimento, partidos ou governos integrados por eles já colocaram em pauta o abrandamento da lei que trata do tema.

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