Eleitora de Serra no RS dá vitória a Dilma e se diz 'triste'

Tucano fez trajeto de Porto Alegre a Canoas de trem; colou sua imagem na de Brizola e disse que "Petrobras tem problema de gestão"

Matheus Pichonelli, enviado ao Rio Grande do Sul |

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra , iniciou no começo da noite desta sexta-feira uma maratona pela região metropolitana de Porto Alegre, que incluiu no roteiro “uma caminhada” pelos vagões do trem entre a capital gaúcha e o município de Canoas.

Ao lado de apoiadores ele conversou com eleitores, recebeu abraços e palavras de incentivo – inclusive de uma simpatizante que “enterrou” suas chances de se eleger presidente. Ao receber o abraço do candidato, a dona de casa Irondina Fortes, 61, disse que sempre votou no tucano apesar de gostar do presidente Lula. Ela disse ao candidato, porém, que estava triste porque, segundo ela, a postulante petista ao cargo, Dilma Rousseff , vai ganhar a disputa.

“Aquela bandida vai colocar a faixa. O senhor não tá muito bem, né?” disse para o candidato.

Após participar de um ato em que recebeu apoio do diretório estadual do Partido Progressista, Serra concedeu entrevista na sede do grupo RBS e, por volta das 20h, embarcou na estação do Mercado Público em Porto Alegre rumo a Canoas. Nas sete estações até o destino final, o candidato percorreu os vagões e ouviu reclamações de passageiros, como um jovem que desceu à plataforma aos gritos: “Serra e Dilma quer (sic) roubar de nós” repetia o passageiro, que foi repreendido por um segurança da companhia que administra o sistema de transporte metropolitano.

Ainda dentro do vagão, Serra comparou o trem gaúcho aos da CPTM, em São Paulo. “São modelos diferentes, mas não achei ruim, não”, disse ao iG pouco antes de desembarcar.

Brizola e Petrobras

Já em Canoas, o tucano visitou o diretório municipal do PV e afirmou, em discurso, que, se eleito, vai transformar o trem urbano de Porto Alegre em metrô de superfície.

De olho nos votos recebidos pela candidata Marina Silva (PV) no primeiro turno, ele disse também, que para ele “meio ambiente é um meio de desenvolvimento”. Ainda em Canoas, debaixo de uma garoa fina, ele participou de um ato ao lado do ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB) em um palanque improvisado nos fundos de uma casa de madeira onde funciona o comitê suprapartidário de apoio ao tucano.

No local, ele evocou a figura de Leonel Brizola (PDT), que governou o Rio Grande do Sul, e disse ter sido amigo do ex-governador gaúcho até a sua morte, em 2004. Em 1965, quando Serra voltou ao País do exílio durante a ditadura militar foi Brizola quem o ajudou a entrar clandestinamente pelo sul do País. O tucano disse não se recordar, porém, do nome da cidade em que pegou o ônibus para São Paulo.

Em seu discurso na cidade, o candidato do PSDB voltou a ironizar os adversários do PT e disse que suas propostas para Saúde são copiadas pelos rivais. Citou o caso, por exemplo, dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs). Ele disse também que o problema da Petrobras “não é a privatização, é um problema de gestão, de fazer com que não sirva a cupinchas e aliados”. Segundo Serra, a estatal é alvo de interesses de aliados do governo, como Fernando Collor (PTB-AL), senador que, nas palavras do tucano, hoje tem influência sobre a BR distribuidora, subsidiária da estatal.

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