A pré-candidata do PV à Presidência disse que a eleição polarizada entre os candidatos do PT e PSDB corre o risco de não vingar

A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência, disse hoje que a eleição polarizada entre os candidatos do PT e do PSDB corre o risco de não vingar. "O povo não vai comprar a tese do plebiscito. A sociedade resolveu se escalar para acabar com esse empate", afirmou ela em entrevista à Rádio CBN, ao comentar a pesquisa Datafolha publicada no domingo, na qual segue em terceiro lugar com 12% das intenções de voto. 

A sondagem publicada no sábado aponta José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) empatados na liderança da corrida presidencial, com 37%. "Gostei do resultado porque estamos no começo, sem estrutura, em campanha há cinco meses. Os outros são candidatos desde pequeninos", brincou. 

A senadora criticou as abordagens das campanhas petista e tucana e pediu um debate sério sobre o País. "O PSDB critica o PT por dividir o País entre ricos e pobres, entre Nordeste e Sul, e sempre que tem eleição vem o PT com a história que o PSDB vai entregar tudo, vai privatizar tudo. Termina a campanha e ninguém sabe com o que eles se comprometeram. Vamos debater o que interessa." 

Contudo, Marina manteve a linha de não negar as conquistas passadas. "As pessoas só acham que tem diferença se fizermos um discurso desconstruindo tudo o que foi feito. Estou dizendo que é possível construir a partir das coisas boas que temos. Há contribuições importantes do sociólogo e do operário." 

Histórico

Questionada a respeito de suas posições passadas, como seu voto contra a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Marina diz ter feito a autocrítica. "A realidade me mostrou que eu estava equivocada", e lembrou ter votado a favor da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira) no governo Fernando Henrique Cardoso, contrária à posição do PT, seu partido à época, por acreditar que o imposto ajudaria a resolver os problemas no setor de saúde. 

Durante a entrevista, a senadora se posicionou contra o fim do fator previdenciário, mas a favor do reajuste de 7,71% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo. "É justo recuperar o poder aquisitivo dos aposentados. Eleva a maior déficit na previdência, mas o governo precisa fazer escolhas", disse. 

Evangélica, Marina preferiu não dizer se é contra ou a favor do desenvolvimento da célula artificial, projeto que movimentou o noticiário sobre ciência na última semana. "Não podemos contrapor ciência e religião. Mas o que orienta a ciência é a ética", afirmou.

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