Eleição Legislativa ajuda a determinar governabilidade

Para especialista, maioria numérica não é garantia de aprovação de projetos, mas facilita manobra do novo presidente

iG São Paulo |

A nova composição do Congresso Nacional será decisiva para determinar a governabilidade na administração que substituir a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Se forem confirmadas as previsões dos principais partidos políticos da base e Dilma Rousseff sair vitoriosa da disputa, o mais provável é que o governo possa comemorar uma ampla maioria na Câmara e no Senado. Se o tucano José Serra conseguir levar a disputa para o segundo turno e virar o jogo na nova etapa de votação, terá de buscar uma fórmula para recompor sua base nas duas Casas e criar um ambiente favorável à aprovação de projetos.

Embora reconheça que, se eleita, Dilma terá vantagem numérica no Congresso, o cientista político Carlos Melo, do Insper, afirma que a quantidade de deputados e senadores governistas nas duas Casas não é garantia de governabilidade. Lembrando que um eventual governo da petista representa a continuidade da atual administração, ele afirma que, se o tamanho da base crescer, será preciso encontrar na máquina pública espaço para acomodar novos aliados.

“Como estamos falando de um governo de continuidade e a atual administração conseguiu apoio com o rateio de cargos, vale lembrar que ela terá que encontrar espaço na máquina pública para os políticos que ajudaram a elegê-la, mas não eram necessariamente contemplados na atual gestão”, afirma Melo. “De qualquer forma, a maioria, no Brasil, nunca é algo certo. Ela pode ter vantagem numérica e ainda assim ter dificuldade para compor as forças”, completa.

Num cenário tendo Serra como vencedor, Melo também minimiza o risco de o tucano ter dificuldade de aprovar projetos em função da vantagem numérica de partidos que hoje compõem a base do governo. De acordo com ele, a saída será atrair o PMDB, que trabalha com a previsão de eleger algo em torno de 90 deputados na eleição deste ano.

“Sem contar que ele, diferentemente de Dilma, terá a oportunidade de esvaziar completamente a máquina pública e montá-la novamente, tendo em mente a necessidade de recompor suas forças no Congresso”, afirma o cientista política.

    Leia tudo sobre: eleições

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG