Eleição abre caminho para nova geração de políticos

Políticos jovens e populares prometem sair das urnas como opções para o Planalto em eleições futuras, avaliam especialistas

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A eleição deste ano começa a dar projeção nacional a representantes de uma nova geração de políticos. Se forem confirmados os resultados das últimas pesquisas de opinião, nomes jovens e populares como o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB), e os governadores Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, e Cid Gomes (PSB), do Ceará, sairão fortalecidos das urnas em outubro. 

Muitos com menos de 50 anos e donos de altos índices de popularidade, esses políticos devem assumir um papel de destaque na articulação política e construção de alianças no próximo período, avaliam especialistas ouvidos pelo iG .

Para o cientista político Antônio Lavareda, esses "novos nomes" surgem no cenário político como alternativas para o próximo pleito presidencial e serão figuras obrigatórias na composição das futuras chapas. Na opinião do especialista, eles não substituirão necessariamente os velhos caciques, mas terão poder para renovar a dinâmica política nacional. “No Brasil não existe uma troca de guarda ou de geração na política. Mas esses novos nomes trazem um vigor diferente para a vida pública e podem despertar mais entusiasmo nos jovens”, afirma Lavareda.

AE
Jovem, Aécio desponta como favorito ao Senado e comemora crescimento de seu candidato ao governo
A lista, apontam especialistas, inclui ainda os governadores da Bahia, Jaques Wagner (PT), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Assim como Cid e Campos, ambos podem vencer as eleições em seus Estados ainda no primeiro turno. Os quatro disputam a reeleição e, no próximo período, não poderão mais concorrer ao cargo de governador, passando a integrar a lista de possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.

Apontado como favorito na corrida pelo governo de Pernambuco, Campos tem 70% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Vox Populi. Aécio, que chegou a cogitar a disputa presidencial este ano, chega a 64% das intenções de voto na corrida ao Senado e comemora ao crescimento de seu candidato ao governo mineiro, Antônio Anastasia.

Agência Estado
Assim como Jaques Wagner e Sérgio Cabral, Eduardo Campos tem chances de se reeleger no primeiro turno
“Esses novos líderes terão o desafio de criar uma nova dinâmica entre oposição e governo, viabilizando ou não a atuação do próximo presidente. Eles terão enorme influência sobre o Congresso. O grande desafio deles é criar uma nova forma de fazer política, diferente da que está aí”, afirma Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Prévias

Boa parte dos membros da nova geração carrega a herança de políticos importantes - Aécio é neto de Tancredo Neves e Eduardo Campos, de Miguel Arraes. Na avaliação de Lavareda, eles serão capazes de “furar” a barreira que existe dentro dos partidos em relação aos jovens políticos.

Para o cientista político, a experiência e atuação em cargos públicos ainda pesa na hora do voto, dificultando o surgimento de novos projetos e visões sobre o País. “Como no Brasil não existem as prévias partidárias, os políticos jovens não encontram espaço nos partidos. Bill Clinton e Barack Obama, por exemplo, eram políticos com pouquíssima experiência antes de chegarem à Casa Branca. Conseguiram graças, justamente, às prévias”, explica.

De acordo com Fábio Wanderley Reis, líderes que podem surgir das urnas no próximo dia 3 de outubro tendem ainda a substituir os políticos de mais idade. “A idade pesa, mesmo para aqueles que insistem em continuar na vida pública. A renovação das lideranças partidárias deve ser a grande novidade dessas eleições”, analisa Reis.

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