Dutra diz que tucanos fazem campanha 'subterrânea' contra Dilma

Em BH, onde se encontrou com prefeitos e deputados do partido, presidente nacional do PT critica postura dos adversários

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, criticou o candidato à Presidência José Serra (PSDB) durante coletiva à imprensa realizada nesta quinta-feira (14) em Belo Horizonte. O que era para ser um encontro com jornalistas - com o objetivo de divulgar as ações de mobilização em Minas Gerais para a campanha da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff -, transformou-se numa série de reclamações contra a postura dos tucanos. Para ele, Serra e seus aliados fazem uma campanha "subterrânea" contra a ex-ministra neste segundo turno da corrida presidencial.

“Nós defendemos a irrestrita liberdade de religião, de imprensa e de expressão, mas lamentamos que a oposição alimente a intolerância. O Brasil não tem tradição de intolerância, e nós não adotamos esse tipo de campanha", disse o líder petista. Segundo Dutra, o candidato José Serra é "réu por injúria, calúnia e difamação por acusações contra membros do Partido dos Trabalhadores". 

“Nós optamos por mostrar à sociedade a diferença entre os dois projetos, do presidente Lula e dos adversários, e rebatemos em nossos programas todas as afirmações que eles fazem", argumentou ele. "Entretanto, a oposição tem feito um campanha subterrânea contra nossa candidata, principalmente pela internet, que potencializou a difamação e fofoca, e isso nós não podemos impedir."
A coletiva de José Eduardo Dutra foi convocada para a tarde desta quinta-feira, quando era realizado um ato de campanha do tucano José Serra em Belo Horizonte. O ex-governador paulista se encontrou com prefeitos de mais 180 cidades na Associação Médica de Minas Gerais, local próximo ao comitê de campanha de Dilma, na zona sul da cidade, onde Dutra se reuniu com a imprensa. 

O petista não perdeu a chance de voltar a acusar o tucano de ser favorável a novas privatizações em setores estratégicos, como o da exploração de petróleo. “Quando Serra fala que quer alterar o modelo da camada pré-sal para concessão, o que ele quer de fato é privatizar o petróleo do Brasil. Se adotarmos a concessão, as empresas viram donas do petróleo e nós recebemos apenas os impostos", disse ele. "Se adotarmos o modelo que o PT enviou ao Congresso Nacional de partilha, a União é a dona do petróleo e as empresas recebem pelo trabalho de extração”, completou. 

Dutra, porém, foi cauteloso ao comentar as recentes pesquisas de intenção de votos de diversos institutos que apontam a redução da diferença entre Dilma e Serra. “As pesquisas mostram que ninguém vai ter vida fácil nessa eleição, nós temos uma vantagem, mas não podemos nos acomodar", analisou. "Por isso, estamos aqui fortalecendo a campanha de Dilma em Minas, que é o segundo colégio eleitoral, mas também é um estado muito simbólico, pois Dilma é mineira.” 

Petistas querem os votos de Marina no Estado

Segundo Dutra, a coordenação da campanha petista em Minas pretende buscar os votos da candidata do PV, Marina Silva , que venceu em Belo Horizonte, uma cidade tradicionalmente de reduto petista, demonstrando ao eleitor que a proposta de governo de Dilma Rousseff é a que mais se aproxima do modelo de Marina. “Marina tem uma história no PT. Ela atuou em várias frentes no governo Lula e foi uma das responsáveis pelas propostas de meio ambiente que nosso governo apresentou mundo afora. É natural que seu eleitor se identifique mais com a candidata do PT e é isso que iremos mostrar agora para a disputa do segundo turno”, disse. 

O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Alexandre Padilha, licenciado do cargo especialmente para atuar na campanha de Dilma Rousseff, também participou do encontro com jornalistas. Segundo ele, o segundo turno será oportunidade para tornar evidentes as diferenças entre os projetos de governo de Dilma e de Serra, mostrando que ela representa continuidade de um projeto vitorioso e ele, a volta a um projeto do passado. "Foi exatamente isso o que ocorreu em 2006 e, no segundo turno debatemos melhor o modelo de privatização do então candidato da oposição, Geraldo Alckmin", lembrou. "O presidente Lula teve uma vitória por ampla maioria, estou convencido de que faremos o mesmo agora.” 

Também participaram da coletiva as principais lideranças do Partido dos Trabalhadores em Minas, como o ex-ministro Patrus Ananias (PT), candidato derrotado ao governo de Minas; o ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato derrotado ao Senado Fernando Pimentel (PT). Marcaram presença, ainda, para dar peso político ao evento em Minas, as principais lideranças da base aliada do governo federal: o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e o ex-ministro do governo Lula, Walfrido Mares Guia (PSB), entre outros.

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