Dutra compara polêmica sobre dossiê a sopa requentada

Presidente do PT volta a afirmar que partido não tem envolvimento com a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB

AE |

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, voltou a afirmar nesta quinta-feira que o partido não tem envolvimento com a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Os dados extraídos das declarações de Imposto de Renda de 2008 e 2009 do dirigente tucano alimentaram um suposto dossiê fabricado contra o candidato do partido à Presidência, José Serra.

"Nós não temos nada a ver com isso, nem orientamos ninguém a fazer isso", reforçou Dutra, em entrevista à Agência Estado.

Ele complementou que a demora na resolução do caso também não agrada ao PT. "Temos todo o interesse de que se chegue logo a uma conclusão. Isso já virou uma sopa requentada", disse. No mês passado, José Serra responsabilizou publicamente o PT pela fabricação do dossiê contra ele. Diante dessa acusação, o presidente do PT ingressou no Poder Judiciário com uma interpelação, para que Serra apresentasse provas da acusação. O PT também pediu formalmente à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar a acusação.

"Fizemos o que podia ser feito dentro de um Estado de Direito: abrimos processo contra o Serra e pedimos a investigação pela PF (Polícia Federal)", relatou o petista. Ele revela que a Justiça Cível de São Paulo rejeitou a interpelação, alegando que Serra não teria o que explicar ao PT. Diante dessa resposta, Dutra informou que o partido protocolou nova ação, em que acusa Serra de calúnia e injúria. O processo tramita na primeira instância da Justiça paulista. Paralelamente, o PT aguarda o desfecho da investigação da Polícia Federal e da sindicância interna no âmbito da Receita Federal.

No entanto, o depoimento do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, aos senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nessa quarta-feira deu mais munição à oposição. Ele admitiu que os dados fiscais de Eduardo Jorge foram consultados e afirmou que tem os nomes dos funcionários que os acessaram, as datas e os horários. Mas recusou-se a revelá-los.

Diante do silêncio de Cartaxo, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) protocolou hoje requerimento à Procuradoria Geral da República para que abra inquérito para investigar o secretário por crime de prevaricação. O oposicionista acusa o secretário de retardar, intencionalmente, o desfecho das investigações e negar o acesso a informações que teria obrigação de revelar.

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