Doações online dão primeiros passos em 2010

Partidos se preparam para implantar sistemas de arrecadação online durante a campanha eleitoral

Nara Alves, iG São Paulo |

O papel da internet nas campanhas políticas durante as eleições desde ano tem sido principalmente de palco de ataques virtuais. O uso da web na arrecadação de doações ainda é incipiente, mas começa a dar seus primeiros passos agora. Pela primeira vez, a legislação brasileira consente doações online, inclusive com cartão de crédito.

Agência Estado
O PV de Marina Silva é o único com site de arrecadação
Está claro para os especialistas brasileiros que o chamado “efeito Obama” de microfinanciamento não vai se repetir no País. Em 2008, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, arrecadou US$ 600 milhões, sendo que US$ 500 milhões foram só pela internet. O montante é dez vezes maior do que o total angariado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, quando doações online ainda não eram permitidas.

O chefe da campanha de Obama na internet, Ben Self, acredita que a quantidade de doações neste ano não fará diferença para os candidatos brasileiros. “Eu acredito que, no longo prazo, veremos mais e mais pessoas doando para campanhas no Brasil. Mesmo que nesta eleição não faça uma diferença drástica, leva anos para construir uma cultura de doação”, diz. A empresa de Ben Self, a Blue State Digital, foi contratada pelo PT para a campanha de Dilma Rousseff na internet.

O PV é o único partido que já lançou seu site de arrecadação, dentro do projeto Brasil Sustentável. Até agora, a legenda afirma ter arrecadado R$ 202 mil pela internet. “Não acredito que teremos muitas doações porque o Brasil não tem essa cultura. As pessoas têm muita desconfiança na política. O site é mais voltado para os filiados e simpatizantes”, explica o secretário de comunicação do partido, Fabiano Carnevale. Se cada um dos 259.794 filiados depositar o mínimo pedido pelo partido para cobrir os custos da operação, R$ 20, a legenda receberá mais de R$ 5 milhões.

O PSDB também vai incentivar as doações online, mas ainda não definiu como. “O PSDB sem dúvida vai encontrar uma forma de implantar isso”, diz uma das estrategistas de redes sociais do partido Cila Schulman. “A ideia, mais do que arrecadar dinheiro, é mobilizar os simpatizantes. É uma forma de participação. A grande questão do financiamento aqui vai ser a confiança. Por outro lado, tem uma boa parcela que vai querer dar uma contribuição porque é um ato de cidadania, é uma demonstração de que você quer ajudar aquele candidato”, diz.

O PT também ainda não apresentou um projeto de arrecadação de dinheiro via internet. De acordo com o secretário de Comunicação do partido, Gleber Naime, a reforma eleitoral deixou a desejar no quesito financiamento. “Infelizmente o Congresso não legislou como defendíamos. As contribuições continuarão restritivas na internet”, afirma. Ao falar em restrições, a legenda critica a obrigatoriedade de emissão de recibo, em formulário impresso ou em formulário eletrônico, no caso de doação via internet, como estabelece a lei.

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