Depois de duas derrotas ao governo gaúcho, petista é eleito no primeiro turno

Depois de dois presidentes da República, finalmente São Borja vai ter seu primeiro filho governador do Rio Grande do Sul. Se Getúlio Vargas e João Goulart foram presidentes marcantes na história do Brasil, Tarso Fernando Herz Genro entra na história do Estado como primeiro governador eleito no primeiro turno.

Tarso Genro beija a candidata à Presidência Dilma Rousseff: aliados do PT
AP
Tarso Genro beija a candidata à Presidência Dilma Rousseff: aliados do PT
Tarso chega ao Palácio Piratini aos 63 anos, três décadas após ter fundado e militado no clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC) e mais de quatro depois de seu primeiro cargo público: foi eleito vereador em Santa Maria em 1968, aos 21 anos de idade, pelo MDB.

O são-borjense formou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e atuou como advogado de sindicatos e associações profissionais. Mesmo em casa, no entanto, a política não abandonou Tarso. Seu pai foi vereador e vice-prefeito de Santa Maria, e uma de suas duas filhas é a deputada federal Luciana Genro, do PSOL, que não conseguiu se reeleger.

Luta contra a Ditadura e ingresso no PT

Durante a Ditadura Militar que aprisionou o Brasil, Tarso também foi aprisionado. Após o AI-5 entrar em vigor, em 1968, foi preso duas vezes. Não foi torturado, mas, após um terceiro mandado de prisão ser expedido contra ele, exilou-se no Uruguai. Voltou ao Brasil em 1972, militando legalmente no MDB e clandestinamente no PRC, uma dissidência do Partido Comunista.

A partir da redemocratização e do nascimento de novos partidos, teve início uma nova fase na vida política de Tarso. Elegeu-se deputado federal constituinte pelo Partido dos Trabalhadores em 1986, dois anos antes de concorrer a vice-prefeito de Porto Alegre na primeira disputa que levou o PT à prefeitura da capital gaúcha, com Olívio Dutra. Candidato à sucessão de Olívio em 1992, venceu. As principais lideranças do PT gaúcho revezaram-se por 16 anos no comando da capital do Estado, e Raul Pont foi o prefeito seguinte, eleito em 1996. Quatro anos depois, Tarso voltou à prefeitura.

Entre tantas vitórias, a eleição que levou o petista ao governo do Estado neste domingo foi a terceira tentativa de Tarso de chegar ao Piratini, após duas derrotas. Em 1990, fez apenas 10% dos votos contra Alceu Collares (PDT), e, em 2002, perdeu para Germano Rigotto (PMDB) no segundo turno, após renunciar à prefeitura de Porto Alegre para concorrer.

Derrotado no Rio Grande, Tarso é prestigiado em Brasília

Após deixar a prefeitura da capital gaúcha e não conseguir se eleger ao governo do Estado, Tarso foi chamado à capital do país. Na quarta tentativa, o Partido dos Trabalhadores chegava à presidência do Brasil com Lula, e, no ano seguinte, o novo presidente buscou no Rio Grande do Sul seu secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Tarso ganhou mais espaço no governo, e chegou ao Ministério da Educação em 2004.

A gestão da Educação por Tarso e por seu sucessor, Fernando Haddad, é um dos pontos que, agora, deixando seu mandato, o presidente faz questão de destacar. “Nunca antes na história desse país”, como gosta de dizer, tantas escolas técnicas foram construídas. O polêmico Programa Universidade para Todos (ProUni), que destinou recursos públicos à abertura de vagas para bolsistas nas universidades privadas, é outra menina dos olhos de Tarso e Lula. A criação da Unipampa, mais uma universidade federal no Rio Grande do Sul, foi lembrada diversas vezes pelo candidato ao Piratini durante a campanha.

Ao ganhar espaço nacionalmente, o são-borjense passou a se envolver em polêmicas proporcionais ao tamanho do País, ou ainda maiores. Primeiro, com o escândalo do mensalão no Congresso Nacional derrubando líderes do PT, Tarso deixou o MEC para assumir interinamente a presidência do partido. Defendeu a “refundação” do PT, e arrumou adversários políticos dentro do próprio partido.

Dois anos mais tarde, em 2007, após uma rápida passagem pelo Ministério das Relações Institucionais, tomou posse como ministro da Justiça. Nesse cargo, Tarso marcou definitivamente seu nome na memória das pessoas. Comprou uma briga interna com veículos da imprensa e com a oposição, e externa com o governo italiano de Silvio Berlusconi, e defendeu a concessão de asilo ao ativista político Cesare Battisti, condenado na Itália por terrorismo.

Tarso deixou o governo Lula para tentar comandar no Rio Grande do Sul o “projeto de Lula para o Brasil”, como disse no último comício da campanha, no último dia 24. De segundo colocado nas primeiras pesquisas, se tornou o primeiro são-borjense eleito governador do Rio Grande do Sul, e o primeiro governador do Estado eleito no primeiro turno.

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