Dirceu sai em defesa de Dilma em caso da quebra de sigilo

Ex-ministro da Casa Civil diz que PSDB usa calúnias para tentar mudar rumo da eleição presidencial

Rodrigo Rodrigues, enviado a Praia Grande |

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, afirmou na tarde desta sexta-feira que o PSDB utiliza o caso do vazamento de dados sigilosos da Receita Federal para tentar mudar o rumo das eleições deste ano. Ao sair em defesa da presidenciável Dilma Rousseff, o ex-ministro da Casa Civil negou que o caso tenha qualquer relação com a campanha petista.

Dirceu, que atua na campanha de Dilma nos bastidores, investiu na tese de que a quebra de sigilo de tucanos como o vice-presidente-executivo do partido Eduardo Jorge, e mesmo da apresentadora Ana Maria Braga e da família Klein, evidenciam apenas um crime comum. Trata-se, segundo ele, do reflexo de um esquema de compra e venda de sigilos instalado na Receita Federal.

Ele afirmou que o PSDB tenta usar o escândalo como arma para influenciar a corrida presidencial. "É uma coisa ultra-articulada da parte deles. Parece que é a coisa mais importante do Brasil... Isso é grave, precisa ser investigado, os responsáveis precisam ser punidos. Mas não se pode acusar ninguém sem prova. O que o candidato do PSDB faz é acusar sem provas e tentar, inclusive, atribuir à campanha eleitoral", disse.

A declaração foi feita durante a participação do ex-ministro no 19º Congresso Sindical Comerciário, que acontece em Praia Grande, no litoral paulista. Ele sugeriu também que o vazamento do inquérito que investiga funcionários da Receita tem caráter político-eleitoral. "Por que iriam quebrar o sigilo telefônico da família Klein e da apresentadora Ana Maria Braga? O caso indica que, como aconteceu muitas vezes com os grampos telefônicos, pequenas quadrilhas se organizavam para quebrar sigilo telefônico, vender informações e chantagear, sem nenhuma relação com a política. Evidentemente que não tem nada a ver com o PT, nem com a campanha presidencial. É uma coisa descabida", afirmou.

O ex-homem-forte do governo Lula também criticou o uso de sua imagem nos programas de Serra. No horário eleitoral, a campanha tucana afirma que a eleição de Dilma pode levar o ex-ministro de volta ao governo federal. O deputado Antonio Palocci, que perdeu o posto de ministro da Fazenda após o caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, também é citado nos programas.

"Todos sabem que eu não quero, não devo e não posso participar de nenhum governo. Minha pretensão é trabalhar para eleger a Dilma e no ano que vem me defender no Supremo. Meu único projeto é advogar, tocar o meu blog e continuar fazendo política na base", disse Dirceu, que responde no Supremo Tribunal Federal ao processo sobre o escândalo do mensalão.

São Paulo

Sobre a corrida eleitoral em São Paulo, Dirceu disse que acredita na hipótese de segundo turno em São Paulo. Para ele, o crescimento de Dilma no Estado apontado na última pesquisa Datafolha e a participação do presidente Lula na campanha estadual favorecerá o candidato petista ao Palácio dos Bandeirantes, Aloizio Mercadante.

Dirceu justificou as declarações com as votações que o PT teve em eleições anteriores. Disse que dificilmente o partido terá menos de 30% dos votos em São Paulo. “O próprio Mercadante atingiu 33% dos votos em 2006, o Genoino fez 32%, a Marta já tinha sido muito bem votada em 1998", disse, em referência ao ex-presidente do PT José Genoino e à ex-prefeita Marta Suplicy. "O PT tem no mínimo um terço dos votos em São Paulo."

    Leia tudo sobre: eleições dilmaeleições serrapleito 2010

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG