Dirceu entra em campo para ajudar em negociação com PP

Ex-ministro agendou conversas com líderes do partido; maior obstáculo é convencer Francisco Dornelles

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) entrou em campo para tentar fechar ainda nesta semana a adesão do PP à candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República. A partir de terça-feira, ele deve estar em Brasília para conversar com líderes do partido no Congresso e representantes da sigla que detêm cargos no governo federal.

O líder do PP na Câmara, João Pizzolatti (SC), confirmou ao iG que reuniu-se na semana passada com Dirceu. “Ele está fazendo um grande esforço para o PP se coligar com o PT. Devemos tomar uma decisão até o fim desta semana”, afirmou.

Apesar de pertencer à base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há cerca de dois meses o PP divide-se entre o apoio a Dilma ou ao candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra. Isso porque, logo no início da corrida eleitoral, os tucanos ofereceram a vaga de vice para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

O principal interesse do PT e do PSDB no PP é o tempo de TV, cerca de um minuto e meio. Como a vaga de vice de Dilma está garantida desde o ano passado ao PMDB, Serra tentou convencer as lideranças do PP de que o partido teria mais espaço ao seu lado. No entanto, o crescimento da petista nas pesquisas minou a possibilidade de acordo.

Os tucanos já descartam a presença do PP na chapa de Serra. Nos bastidores, admitem que é quase impossível fazer com que Dornelles seja candidato a vice. Segundo o iG apurou, o principal objetivo do PSDB é evitar uma coligação formal do PP com Dilma. Porém, a cada semana, pepistas são atraídos pelo PT.

Entre eles , o mais recente é o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) - visto como importante líder do baixo clero, que reúne políticos com pouca exposição na mídia mas que ajudam a decidir votações na Câmara. Ele foi incentivado pelo Palácio do Planalto a disputar o Senado pelo Piauí na chapa do senador João Vicente Claudino (PTB), que concorrerá ao governo do Estado.

Nogueira fará uma aliança branca com o ex-governador Welington Dias (PT), que disputará o Senado na chapa de Wilson Santos (PSB). Os dois tentarão vencer os oposicionistas Mão Santa (PSC-PI) e Heráclito Fortes (DEM-PI). Antes do acordo com o Planalto, Nogueira achava importante para o PP a aliança com o PSDB.

“As coisas mudam. Hoje a possibilidade mais forte é o PP fechar com a Dilma”, disse Nogueira ao iG . “Independentemente da decisão do partido, eu, como candidato ao Senado, vou trabalhar para que ela tenha uma importante votação no Piauí”, afirmou. Ex-líder da bancada, Mário Negromonte (BA) marcou presença na convenção de Dilma. Ele sempre defendeu que o partido fechasse com a petista.

Na Bahia, o PP indicou o vice na chapa do governador Jaques Wagner (PT), que tentará a reeleição.Em Santa Catarina, o PP também tenta fechar uma aliança com o PT. A candidata ao governo, Angela Amin, mantém conversas com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). O problema é que Ideli insiste em ser cabeça de chapa, apesar de estar atrás nas pesquias.

Do lado tucano, Ricardo Barros (PP-PR) comporá a chapa do ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, que disputará o governo pelo PSDB. O deputado pernambucano Eduardo da Fonte é outro pepista que trabalha para aliança com os tucanos. Ele compareceu à convenção de Serra em Salvador (BA) no último sábado.

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