Dilma tem respaldo do PT para abrigar aliados, afirma Dirceu

Ex-deputado petista afirma que Partido dos Trabalhadores não dificultará montagem de futuro governo se perder espaço

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O ex-deputado petista José Dirceu afirmou nesta segunda-feira que a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) tem respaldo do partido para abrigar no futuro governo todas as legendas que formaram a base de apoio durante a sua campanha. Mesmo que isso signifique uma menor participação de petistas em relação à gestão Lula.

"A ministra e presidenta eleita tem experiência política, tem respaldo no PT e tem o apoio do PT para constituir o governo. Não vejo que vai haver qualquer problema com o PT", disse o ex-ministro, após gravar entrevista para o Roda Viva , da TV Cultura. O programa foi ao ar nesta segunda-feira, às 22h. Dirceu minimizou o fato de sua sucessora na Casa Civil não ter feito referências ao PT, mas sim à coalizão, no primeiro pronunciamento após ser eleita .

"A referência no discurso foi secundária. Ela fez referência aos partidos que a elegeram, e acho que quis dar esse caráter de aliança. Acredito que o fundamental (para a vitória nas urnas) tenha sido a aliança, disse. Sabíamos que não seria uma eleição fácil."

Ainda segundo Dirceu, um dos principais desafios do futuro governo será implementar a reforma política. O ex-deputado disse acreditar, no entanto, que o presidente Lula terá papel fundamental nessa tarefa. Lula já afirmou que, após deixar o cargo, pretende se reunir com representantes de outros partidos para encontrar uma proposta comum . Para Dirceu, a reforma poder ser aprovada já em 2011.

Já a reforma tributária, lembrou o ex-deputado, está pronta e só não foi votada ainda em razão de resistências regionais, sobretudo em São Paulo, que se opõe na cobrança de impostos no destino do produto. "Temos maioria da Câmara e no Senado. Precisa ver como cada partido vai se comportar", afirmou.

Na entrevista ao Roda Viva , Dirceu voltou a afirmar que não pode nem pretende ter participação no futuro governo petista. Ele defendeu sua atuação à frente do PT, do qual faz parte da direção nacional, para formar alianças e montar a base de apoio: "Não atuo nem nos bastidores nem nas sombras".

Na entrevista, Dirceu saiu em defesa do apoio dado pelo PT ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), durante o escândalo dos atos secretos, ano passado. "Se o PT não tivesse apoiado o Sarney no Senado, no mês seguinte o Serra estava sentado com PMDB e o PMDB, indicando o vice."

O ex-deputado voltou a negar a existência do mensalão, suposto esquema de compra de apoio de parlamentares pelo governo Lula, e se queixou do linchamento sofrido por ele por causa das suspeitas. "( A denúncia ) Foi aceita ( pelo STF ) sem culpabilidade, mas eu tenho a presunção da inocência".

Dirceu se irritou ao ser perguntado se passou a atuar como lobista após deixar o governo. "Não faço lobby, faço consultoria. Disse, em certo momento, que jamais moveu uma palha para ser candidato a presidente, antes de ter o nome envolvido no escândalo do mensalão e deixar o governo."

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