Dilma seguiu caminho distinto ao das amigas de infância

Educada para casar, petista deixou para trás vida tradicional e optou pela militância contra a ditadura militar

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As meninas do Nossa Senhora de Sion, tradiconal colégio de Belo Horizonte, foram educadas para casar. Na sala de aula, aprendiam francês, inglês e até bordado - exatamente como mandava o figurino dos anos 50. Política, nem pensar. Este acabou sendo o destino das garotas que dividiram a adolescência com Dilma Rousseff.

Vizinha e amiga da hoje candidata do PT à Presidência, Sandra Borges da Costa, 63 anos, seguiu à risca as lições das freiras do Sion. Na década de 60, foi para São Paulo e formou-se mãe: cuidou da casa, marido e dos filhos. Somente aos 40 anos, voltou ao ambiente acadêmico, já na condição de avó de sete netos.

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Sandra, à direita de Dilma, casou-se, cuidou da família e retornou à vida acadêmica aos 40 anos

Hoje administradora, Sandra brinca com seus “cinco minutos de fama” ao lembrar a amiga de adolescência. “A minha recordação é de outra Dilma, por isso falo quando me procuraram. É descompromissado, não tem a ver com a fase política dela”, contou ao iG a bem humorada mineira.

Adriana Elias/iG
Com o álbum de fotografias em mãos, Sandra diz se lembrar de outra Dilma
Sandra e Dilma estudaram no Sion na mesma época, mas não dividiram a mesma turma. Moravam uma ao lado da outra, no bairro São Pedro, onde se revezavam de casa em casa. “Hoje tanto a minha casa como a da Dilma viraram buffets de festa”, afirmou.

Sandra conta que a ex-ministra da Casa Civil nunca foi uma pessoa risonha e expansiva. Mas garante que, naquela época, ela não tinha “fama de emburrada”. “Nada que chamasse a atenção”, completou.

Dilma foi uma das 15 amigas escolhidas por Sandra para dançar a tradicional valsa em sua festa de debutante. O momento, um dos últimos antes de as duas perderem contato, ficou registrado no álbum de fotografias da mineira.

Caminho cruzado

Sandra garante que não conheceu uma Dilma "emburrada", mas há quem reconheça a personalidade forte da petista em fotografias muito anteriores à do baile de debutante. "Você já viu carinha mais fechada? Ela era assim, mandona desde pequena - e todo mundo obedecia."Foi assim que a que a médica Marisa Andrade Chaves, 62 anos, descreveu a foto de Dilma estampada na primeira página de seu álbum de recordações. Ela e a candidata petista se conheceram na década de 50. O colégio mineiro Izabela Hendrix foi o ponto de encontro das amigas de infância - que perderam contato desde aquela época.

"Éramos assim: melhores amigas. Hoje, se você perguntar, ela não se lembra de mim", relembrou Marisa. "Mas eu nunca me esqueço dela", completou. A instituição, de 105 anos, foi pioneira na educação de mulheres em Minas Gerais. Após a breve passagem pelo colégio, Marisa e Dilma tomaram rumos diferentes.

DIVULGACAO/REPRODUÇÃO
Dona Marisa mostra álbum de fotos com Dilma: a médica perdeu contato com a petista
Enquanto a candidata descobria a militância política como resistência à ditadura, no final da década de 60, a outra concluía o curso de medicina na cidade onde nasceu e foi criada. Foi somente anos depois que a história das "izabelinas" se cruzou por um acaso: formada ginecologista, Marisa atende Cloris de Barros Dutra, mãe do presidente do PT e coordenador da campanha de Dilma, José Eduardo Dutra. "Eu cuido da dona Cloris desde 1º de agosto de 1985", disse Marisa. Professora e farmacêutica, dona Cloris também mora em Belo Horizonte.

Assim que a ex-ministra passou à condição de presidenciável, Marisa resgatou suas memórias em um café promovido pela mãe de Dutra. Em setembro de 2009. É no álbum que guarda no seu consultório médico que estão registrados os poucos "mas bons" momentos que passaram juntas.

"Tenho lembranças muito carinhosas daqueles tempos. As festas juninas eram fantásticas", contou. "Eu ia muito à casa de Dilma também. Ela morava com a mãe e o irmão Igor também. Hoje não falo mais com nenhum deles, mas sei que ele mora aqui em Belo Horizonte." Advogado, Igor mora em Belo Horizonte e foi um dos assessores especiais do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, amigo de Dilma e membro da coordenação da campanha presidencial.

Marisa brincou com a fama de durona da ex-ministra, que ganhou força na época em que ela ocupou a Casa Civil. Mas garantiu que, para ganhar a eleição, a característica será fundamental. "Ela é forte. Acho Dilma uma pessoa muito competente e está na hora de uma mulher mostrar que é capaz de presidir este país".

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