Dilma reforça estratégia de se associar à imagem de Lula

"A minha turma é a do Lula, é a do Zé Alencar, é a de vocês", discursou ela, durante convenção do PRB

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A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, reforçou a estratégia de associar a imagem dela à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na convenção nacional do PRB, que formalizou o apoio da sigla à sua candidatura. "A minha turma é a do Lula, é a do Zé Alencar, é a de vocês", discursou, num dos poucos momentos em que empolgou a plateia.

Abusando do discurso técnico, pontuado por números e dados da administração Lula, a candidata reafirmou que dará prosseguimento às ações e programas do atual governo. "Eu tenho uma missão. É continuar esse processo, seguindo em frente, avançando", afirmou ao prometer percorrer todo o País mostrando que esse governo "sabe fazer e tem de continuar fazendo".

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Dilma ao lado de José Alencar na convenção do PRB, em Brasília
Dilma também reforçou a retórica de que chegou a hora de uma mulher comandar o País. "Se Deus quiser e o povo também, serei a responsável mor pelas mulheres desse País. Qualquer menininha vai poder falar, como os meninos falam, que quando crescer, quero ser presidente da República".

A maioria da plateia, de cerca de 700 pessoas, era formada por jovens do programa "Força Jovem Brasil", projeto mantido pela Igreja Universal, que tem como principal representante no Congresso o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), presente na convenção. "Eu nem sabia que ela vinha. Eu vim para ver o Crivella", disse uma das jovens presentes. Muitos sequer haviam tirado o título de eleitor.

Ao afirmar que o governo petista trocou a "tradição da miséria pelo desenvolvimento", incorreu numa gafe, sugerindo que, em seu eventual governo, milhões de brasileiros seriam eliminados. "Hoje são 53 milhões de brasileiros para serem resgatados da pobreza. Vamos eliminar os 19 milhões que vivem com um quarto do salário mínimo per capita", e logo, corrigiu: "Não digo eliminar os brasileiros, mas eliminar a pobreza dos brasileiros".

Vice tucano

O PT e os aliados comemoraram a crise deflagrada na campanha do presidenciável tucano José Serra. Na avaliação dos partidários da candidata Dilma, a confusão desencadeada entre PSDB e DEM com a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB) como vice na chapa do tucano acabará beneficiando indiretamente a petista. "Ele (Serra) disse que ia unificar o País e não consegue nem unificar os aliados em torno de sua candidatura", argumentou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Na avaliação do secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), a crise na campanha tucana mostra que "os adversários estão bastante atrapalhados". "Eles não só não conseguiram encontrar um discurso como também não se entendem para formar a chapa para a presidência. Eles vivem um clima bem diferente do nosso, que é de coesão total", disse Cardozo.

Para o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a falta de unidade dos aliados de Serra acabará levando ao crescimento da candidatura de Dilma Rousseff. "O PSDB está tratando o DEM com desdém. Isso é ótimo para a campanha da Dilma", afirmou Valadares, que disputa a reeleição para o Senado. Presente ao encontro, o vice-presidente José Alencar, presidente de honra do PRB, evitou o tema. "Isso não é coisa nossa".

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